A sociedade ocidental passou por amplas e profundas transformações no período de pouco mais de 50 anos que transcorreu desde o final da Segunda Guerra Mundial.
De especial significado para a educação nesse período foi o rápido e constante aperfeiçoamento das tecnologias de informação e de comunicação, que convergiram uma para a outra e acabaram, do ponto de vista técnico, por se fundir.
O importante impacto que essas tecnologias estão tendo sobre a educação se manifesta tanto de forma direta, e, portanto, mais facilmente visível, como também de forma indireta, não tão evidente, mas que, possivelmente, se tornará cada vez mais importante.
Para constatar o impacto direto dessas tecnologias sobre a educação basta atentar para os seguintes desenvolvimentos:
Na chamada educação presencial, já não é mais incomum ver escolas, mesmo públicas, com:
Laboratórios de Informática, para uso pelos alunos, em que os computadores estão interligados em rede e conectados à Internet;
Salas de Vídeo, com antena parabólica, em que programas de televisão de especial interesse pedagógico podem ser assistidos em tempo real ou gravados para uso posterior, neste caso tornando possível também que a escola construa sua própria Midiateca;
- Tecnologia dentro da sala de aula (computadores, aparelhos de televisão e videocassete), em regra para demonstrações conduzidas pelo professor.
Na chamada educação virtual, encontramos as seguintes modalidades de educação mediada pela tecnologia:
Ensino a distância, através de cursos a distância, regulares ou não, ministrados por escolas tradicionais, por escolas totalmente virtuais, ou mesmo por instituições não escolares (como empresas, órgãos governamentais e organizações não governamentais);
Aprendizagem colaborativa, através de grupos de pessoas com interesses afins que se reúnem em comunidades virtuais de aprendizagem, nas quais o aprendizado se dá através de discussão, de troca de idéias e experiências, sem que haja alguém ensinando;
- Auto-aprendizagem, em que pessoas, individualmente, se valem da tecnologia (softwares, Internet, vídeos, programas de televisão, etc.), para aprender e, assim, em princípio, para se educar.
Além disso, os seguintes desenvolvimentos atestam o impacto direto da tecnologia sobre a educação presencial:
Departamentos de Tecnologia Aplicada à Educação nos Ministérios e nas Secretarias de Educação (ou equivalentes);
- Canais de Televisão Educativa, públicos ou privados, voltados especificamente para a educação, a escola e o professor.
Mas além desse impacto direto que a evolução dessas tecnologias evidentemente tem tido sobre a educação, há, também o impacto indireto, talvez menos perceptível, mas não menos importante.
O uso das tecnologias de informação e de comunicação se universalizou no Ocidente, em basicamente todos os setores da vida individual e social.
O acesso à informação no dia-a-dia se faz, mais e mais, através da tecnologia, como quando, por exemplo, lemos o jornal (ou apenas suas manchetes) ou a revista em suas versões on-line, em geral atualizados até o último minuto. Além disso, o fato de a tecnologia ter facilitado e agilizado o processo editorial e gráfico, fez com que aumentasse consideravelmente o número de livros, jornais e revistas disponíveis, em meio convencional (isto é, em papel), em livrarias e bancas de jornais e revistas.
A comunicação interpessoal, em contextos profissionais ou pessoais, se faz, por exemplo, através do telefone (cada vez mais móvel), do fax e, mais e mais, do correio eletrônico, quase instantâneo, e do chat, este instantâneo. Até mesmo famílias criam listas de discussão ou regularmente realizam chats para se manter em contato.
O exercício da cidadania está se tornando cada vez mais envolvido com a tecnologia. Não só votamos através de computadores, que nos permitem saber, na noite da eleição, quais foram os candidatos vitoriosos, mas, e mais importante, temos fácil acesso a medidas que estão sendo contempladas por órgãos públicos e a legislação que está em discussão nas diversas câmaras legislativas, e podemos participar de sua elaboração através de consultas públicas. A possibilidade de substituir a democracia representativa pela democracia direta, mediada pela tecnologia, deixa de parecer utópica ou mesmo distante.
O trabalho, hoje em dia, é, mais e mais, mediado pela tecnologia. No comércio, nos bancos, nas demais empresas de serviço, nos escritórios e consultórios de profissionais liberais, e até mesmo no chão das fábricas, a tecnologia está presente, e trabalhar, cada vez mais, significa interagir com um sistema informatizado que nos é apresentado na tela de um monitor de vídeo.
No lazer, seja ele realizado em parques temáticos, em arcadas de jogos, ou em casa, neste caso através da televisão (aberta ou por assinatura) ou do vídeo (VHS, DVD), ou dos cada vez mais sofisticados aparelhos de som, ou de sistemas integrados de “home theater”, ou de equipamentos especializados de videogames ou de karaokê, ou do computador genérico, em jogos disponíveis localmente ou acessíveis pela Internet, jogados com parceiros presenciais ou remotos, a tecnologia é indispensável. A câmera fotográfica ou de vídeo, hoje preferencialmente digital, e a facilidade do acesso à Internet, tornaram possível uma forma nova de lazer que consiste em se expor ao público, numa verdadeira “evasão de privacidade”, através de páginas e sites na Web.
- Nas tarefas corriqueiras do dia-a-dia, na rua e em casa, a tecnologia é indispensável. Os bancos têm caixas eletrônicos e agências virtuais na Internet, nos quais é possível obter extratos, verificar saldos, fazer transferências de valores, aplicar recursos, pagar contas, conversar com o gerente, tudo sem contato face-a-face com uma pessoa ou até mesmo sem sair de casa. As grandes empresas de varejo (supermercados, lojas de departamento, e mesmo lojas especializadas na venda de livros, discos, software, etc.) têm contrapartidas virtuais em que podemos fazer compras sem sair de casa. Em casa, os aparelhos de televisão, videocassete, DVD, e CD, para não falar no terminal telefônico, no forno de micro-ondas e nas máquinas de lavar roupas e pratos, são verdadeiros computadores (às vezes mal) disfarçados. E os computadores, neste caso sem disfarce algum, invadem as residências. Não é mais incomum encontrar residências que possuem vários (porque a máquina é pessoal, mesmo), interligados em rede e com acesso dedicado à Internet – em banda larga.
Esses desenvolvimentos, em sua maioria, e outros que é desnecessário listar, levaram a uma explosão nunca vista na quantidade de informações disponíveis às pessoas, mesmo as mais simples, fato que transformou substantivamente a própria sociedade, que passou até mesmo a ser designada de Sociedade da Informação.
Fazendo uma aplicação não muito literal do que Marshall McLuhan provavelmente quis dizer quando afirmou que “o meio é a mensagem”, poder-se-ia sugerir que o impacto indireto dessas tecnologias sobre a educação será mais importante do que o seu impacto direto.
Em outras palavras, as novas tecnologias de informação e de comunicação causarão uma transformação na educação, e, conseqüentemente na escola, mais através das mudanças que produzirão na sociedade (impacto indireto) do que através de sua introdução e de seu uso nos ambientes, presenciais ou virtuais, intencionalmente dedicados à educação, como, no caso presencial, a sala de aula (impacto direto).
Há evidência histórica suficiente para concluir que o aparecimento de tecnologias relevantes para a educação, como a escrita alfabética, a gráfica, e a televisão, causou maior impacto na educação através das mudanças que produziu na sociedade do que através de sua introdução e de seu uso na escola.
A escrita alfabética tornou possível a existência de material escrito, em especial a correspondência e o livro manuscrito, e permitiu o surgimento, nas sociedades em que foi introduzida, de uma cultura letrada, que passou a competir com a cultura oral, que até ali predominava sem muita concorrência.
A gráfica tornou possível a existência do livro impresso e, depois, da revista e do jornal, e criou condições para que a cultura letrada se tornasse a cultura predominante, fato que, por sua vez, levou a profundas transformações na educação (especialmente na educação escolar), que acabou se tornando, além de letrada, eminentemente livresca.
Com a popularização dos materiais impressos, tornou-se quase inimaginável uma educação não mediada por textos. Esse fato colocou um estigma no analfabetismo e se tornou um incentivo para que todos procurassem a escola (inicialmente nos países influenciados pela Reforma Protestante, depois em quase todos os outros).
Já no século passado (o vigésimo da era cristã), a televisão mais uma vez alterou a cultura, alavancando a cultura visual que hoje compete com a cultura letrada, levando-lhe, em muitos aspectos, vantagem.
Note-se que em relação à cultura visual o analfabeto não enfrenta tanta desvantagem... Se a cultura visual se tornar realmente predominante, pode dar-se o caso de que o analfabetismo perca o seu estigma, fato que irá mais uma vez afetar profundamente a educação e as escolas. O que se chama de multimídia, é bom ressaltar, não dispensa o texto.
No caso das novas tecnologias de informação e de comunicação provavelmente não será diferente. Isso quer dizer que elas vão afetar a educação e, assim, a escola, mais através das transformações que promoverão (e já estão promovendo) na sociedade, sem preocupação direta com a educação e a escola, do que por aquilo que elas, enquanto tais, podem fazer quando aplicadas diretamente dentro da escola, em especial na sala de aula.
Tendo surgido em decorrência de inovações tecnológicas distintas e em grande parte não relacionadas, o telefone, o rádio, a televisão e o computador hoje convergem, a ponto de se mesclarem na tecnologia digital usada para o computador, que, assim, engloba, além dessas, as tecnologias de produção de textos, sons e imagens, gradativamente substituindo as tradicionais tecnologias de impressão de livros, revistas e jornais, de gravação de discos e fitas de música e de registro de imagens estáticas (fotografia) e dinâmicas (cinema e vídeo).
O uso da mesma tecnologia digital nas telecomunicações transformou as tecnologias usadas na telefonia e na radiodifusão em uma rede digital de comunicações de alcance mundial, usando transmissão de informações por fios e cabos ou sem eles, que, levando sons (inclusive a voz humana), imagens e texto instantaneamente para qualquer ponto do planeta, está também substituindo o correio tradicional no transporte de mensagens e se tornando importante meio de comunicação, de divulgação de idéias, de marketing, de comércio, de entretenimento e, naturalmente, de educação.
Se incorporarmos a esse quadro a evolução tecnológica dos meios de transporte, em especial os aéreos, que hoje nos permitem chegar a qualquer ponto do globo em algumas horas, podemos entender porque Marshall McLuhan disse vivemos em uma aldeia global. Dada a rapidez nas comunicações e nos transportes nessa aldeia global, uma variável nova, além da amplitude e da profundidade, se tornou relevante no processo de mudanças: a velocidade.
Todas esses desenvolvimentos revolucionaram, nos últimos anos, o processo produtivo (tanto na agropecuária como, especialmente, na indústria), o comércio, os serviços, a cultura, as artes, o lazer, as formas de convivência, e, em especial, as profissões – ou seja, revolucionaram a nossa vida.
Seria muito surpreendente se a educação, que tem por objetivo maior capacitar as pessoas para viver vidas autônomas, solidárias e produtivas, de forma competente e responsável, não fosse ampla e profundamente afetada por essas mudanças.
Num outro contexto, em que as comunidades eram bastante homogêneas e tipicamente locais, em que as informações e os conhecimentos eram parcos e o acesso a eles difícil, em que a comunicação a distância, quando possível, era precária, e em que não havia grandes mudanças ou, pelo menos, elas eram mais lentas, poderia fazer sentido considerar a educação como sendo, primariamente, um processo de transmissão, de uma geração para a outra, de conhecimentos, valores, e atitudes. Nesse contexto, as novas gerações desenvolviam, em ambientes informais, as competências e habilidades (geralmente simples), bem como os valores e as atitudes (geralmente consensuais), necessários para viver suas vidas, e as informações e os conhecimentos necessários para se conduzir no plano individual e social lhes eram transmitidos pela família ou, em ambientes mais complexos, pela escola, agindo in loco parentis.
Na Sociedade da Informação, porém, em que há uma explosão de informações e conhecimentos, em que o acesso à informação e ao conhecimento é fácil e rápido, em que comunidades freqüentemente se constituem no plano global e estão longe de ser homogêneas, em que os valores e as atitudes não são consensuais, e em que as competências e as habilidades exigidas para viver vidas autônomas, solidárias e produtivas, de forma competente e responsável, são complexas e múltiplas, abrangendo não só a dimensão cognitiva, mas também as dimensões afetivo-emocional, psicomotora, e interpessoal, não faz mais sentido continuar a ver a função da educação (e, a fortiori, da escola) sob a mesma ótica em que era vista até há pouco.
Nessa sociedade, em vez de primariamente transmitir informações e conhecimentos, a educação (e, portanto, conseqüentemente, a escola) deve focar sua atenção no chamado “paradigma do desenvolvimento humano”, que contempla o desenvolvimento da pessoa, do cidadão e do profissional, e, com esse foco, ajudar as crianças, os adolescentes e os jovens a desenvolver, de forma ativa e colaborativa, as competências e habilidades necessárias para conhecer a si próprios e aos seus semelhantes, bem como à realidade natural e social em que vivem, para conviver com seus semelhantes e com eles colaborar, para fazer, no plano individual e no social, o que for necessário para tornar sua vida e a de seus semelhantes mais realizada e feliz, e, enfim, para ser pessoas autônomas, solidárias, e produtivas que, de forma competente e responsável, harmonicamente integram suas várias dimensões (cognitiva, afetiva, psicomotora e interpessoal) a serviço da realização pessoal e do bem comum.
Nessa sociedade, permeada que está pela tecnologia centrada no computador, é inconcebível que o desenvolvimento dessas competências e habilidades se faça num vácuo, sem contato inteligente e constante com essa tecnologia. Pelo contrário, a tecnologia é hoje ferramenta de comunicação, de acesso à informação, e de disseminação de informação indispensável para o mister de educar, ou seja, de ajudar as pessoas a se capacitarem para viver vidas autônomas, solidárias e produtivas, de forma competente e responsável – ou, se se prefere, para o mister de ajudar as pessoas a sonhar os próprios sonhos e a se capacitar para transformá-los em realidade.
O Programa “Sua Escola a 2000 por Hora” (Sua Escola) é um programa do Instituto Ayrton Senna (IAS). Como tal, é coerente com os objetivos, princípios norteadores e estratégicas básicas de ação do IAS.
O objetivo geral do IAS é promover o desenvolvimento humano, com foco no adolescente e no jovem. O desenvolvimento humano é promovido quando se promovem a educação, a saúde, a integridade e o bem estar do ser humano.
Na área da educação, o objetivo específico do IAS é promover o desenvolvimento da pessoa, do cidadão e do profissional (como especificam a Constituição Brasileira, em seu Artigo 205, e a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, em seu Artigo 2º), através de programas voltados para a educação formal e não-formal, dentro dos princípios norteadores fornecidos pelos “Quatro Pilares da Educação” definidos pelo Relatório Jacques Delors da UNESCO.
Em termos de estratégia de atuação, o IAS organiza suas ações em dois eixos de trabalho: o Fazer e o Influir.
No plano do Fazer, suas ações estão voltadas para a atenção direta a crianças, adolescentes e jovens que contribuam para a garantia dos seus direitos de sobrevivência, desenvolvimento e integridade.
- No plano do Influir, suas ações estão voltadas para ações comunicativas que estimulem diferentes segmentos sociais a atuar em favor das novas gerações.
O Sua Escola é um dos programas do IAS voltados para a educação formal, isto é, para a educação que se processa, de forma organizada e estruturada, dentro da escola.
O objetivo geral do Sua Escola é contribuir para que a escola pública se reveja (em termos de objetivos, organização curricular, métodos de trabalho, papel de professores e alunos, e forma de gestão), à luz da concepção de educação como desenvolvimento humano e levando em contra as profundas transformações que as tecnologias de informação e de comunicação vêm promovendo na sociedade.
Como o foco de atuação do IAS está no adolescente e no jovem, o Sua Escola prioriza a educação fundamental de 5ª a 8ª série e a educação de nível médio./p>
Os objetivos específicos do Sua Escola são concebidos em termos dos dois eixos de trabalho, o Fazer e o Influir, que fazem parte da estratégia de atuação do IAS:
No plano do Fazer, construir uma tecnologia social, com base na experiência de escolas-parceiras, que, levando em conta as profundas transformações que as novas tecnologias de informação e comunicação vêm promovendo na sociedade, e explorando, de maneira crítica e inovadora, o seu potencial para a educação, concebida como desenvolvimento humano, permita que adolescentes e jovens brasileiros se capacitem, em larga escala, para viver vidas autônomas, solidárias e produtivas, de forma competente e responsável.
- No plano do Influir, envolver outros na promoção da causa pela qual propugna o Programa, a saber: conseguir que a escola pública se reveja (em termos de objetivos, organização curricular, métodos de trabalho, papel de professores e alunos, e forma de gestão), à luz da concepção de educação como desenvolvimento humano e levando em contra as profundas transformações que as tecnologias de informação e comunicação vêm promovendo na sociedade.
C. Princípios
A contribuição específica que o Sua Escola traz para essa causa só fica evidente quando se detalham os princípios pedagógicos em que o programa se alicerça.
Esses princípios deixam evidente que não adianta introduzir tecnologia na escola apenas para torná-la mais eficiente, i.e., para que a escola faça melhor o que já vem fazendo: é necessário, primeiro, torná-la eficaz, i.e., conseguir que ela faça aquilo que deve ser feito para promover a educação à luz do paradigma do desenvolvimento humano na Sociedade da Informação.
Assim, tornar a escola eficaz significa transformá-la, ou até mesmo reinventá-la, para que ela possa, junto com outros agentes educacionais, participar do esforço de promover uma educação que realmente contribua para o desenvolvimento humano no contexto de uma sociedade em que a tecnologia desempenha um papel cada vez mais importante na vida das pessoas.
Os princípios pedagógicos que norteiam o programa operam como seis ideais a serem buscados, a saber:
Uma nova educação, voltada para o desenvolvimento integral do ser humano e que capacite crianças, adolescentes e jovens a viverem vidas autônomas, solidárias e produtivas, de forma competente e responsável. (Expressando de forma mais poética, educar é ajudar as pessoas a sonhar os próprios sonhos e a se capacitar para transformá-los em realidade).
Uma nova escola, voltada para o desenvolvimento, pelos alunos, das competências e habilidades necessárias para viver na Sociedade da Informação do Século XXI, que tenha o seu currículo organizado ao redor dos Quatro Pilares da Educação, a saber: o aprender a SER (como pessoa), o aprender a CONVIVER (como cidadão), o aprender a FAZER (como profissional), e o aprender a CONHECER (aprender a aprender) como condição indispensável para a autonomia e permanência dos demais aprendizados. Num currículo assim organizado ao redor de grandes temas e desafios, os conteúdos disciplinares devem funcionar de forma transversal.
Uma nova metodologia de trabalho na escola, voltada para a busca de novas formas de ensinar e aprender, nas quais o professor crie espaços e ambientes de aprendizagem na forma de projetos de aprendizagem de natureza transdisciplinar e conceba seu papel junto ao aluno em termos de apoio, facilitação, incentivo e motivação para que este, assumindo sua parcela de responsabilidade no processo de sua aprendizagem, desenvolva as competências e habilidades necessárias para viver uma vida autônoma, solidária e produtiva, de forma competente e responsável.
Um novo aluno, que aprende pelas suas experiências, das quais o professor é, no ambiente escolar, o facilitador. O novo aluno é o construtor de sua aprendizagem e ator principal (protagonista) no processo de seu desenvolvimento, contando com o professor como seu mentor e parceiro. O novo aluno aprende fazendo, e são os seus interesses (não os do professor) que contam no processo de ensino e aprendizagem, que deve ser contextualizado em suas experiências na comunidade em que vive.
Novos parceiros para uma nova educação, procurados principalmente (mas não exclusivamente) na comunidade local, cuja integração com a escola, só traz benefícios para ambas. As novas tecnologias de informação e comunicação, porém, ao tornar possível a aldeia global, fazem com que a escola possa buscar novos parceiros fora dos limites geográficos locais.
Novas ferramentas para a aprendizagem, que podem ser encontradas no uso criativo e inovador da tecnologia O computador em rede, além de tecnologia que dá acesso à informação e permite sua disponibilização, é tecnologia de comunicação, que torna possível que as pessoas se façam presentes na vida umas das outras independentemente da distância entre elas e se constituam em verdadeiras comunidades virtuais de aprendizagem constante e permanente. Uso criativo e inovador da tecnologia é aquele que:
que contribui para a concretização destes princípios, levando, portanto, a uma nova prática pedagógica;
- define o objetivo do contato da criança com (no caso) o computador como sendo, não que ela aprenda informática, mas, sim, que ela aprenda usar a informática para aprender.
O objetivo geral do programa – contribuir para o desenvolvimento de novas formas de ensinar e aprender que façam uso criativo e inovador da tecnologia – se insere dentro do objetivo específico do IAS de melhorar a qualidade da educação, que, por sua vez, se vincula ao objetivo geral do IAS de contribuir para a promoção do desenvolvimento humano, e, portanto, na área da educação, para a formação da pessoa, do cidadão e do profissional.
O “DNA” próprio do programa, entretanto, só aparece quando se detalham os princípios pedagógicos em que ele se alicerça, princípios esses que deixam evidente que não adianta introduzir tecnologia (ou outros melhoramentos) na escola apenas para torná-la mais eficiente (i.e., para que ela faça melhor o que já vem fazendo): o necessário é levá-la a ser eficaz (i.e., a fazer o que é realmente preciso que ela faça na sociedade em que hoje vivemos).
A razão de ser de buscar uma nova educação e uma nova escola, usando a tecnologia, como ferramenta, para alavancá-las, está nas seguintes constatações, que trazem, embutidas em si, os “anti-princípios pedagógicos” responsáveis pela ineficácia, hoje, da educação escolar:
A visão de educação que subjaz à prática da escola hoje é a de um processo pelo qual as gerações mais velhas, representadas pelos professores, transmitem conteúdos verbais (informações, conhecimentos, valores, atitudes) às gerações mais novas, representadas pelos alunos.
O papel da escola, dentro dessa visão, é organizar esses conteúdos verbais na forma de uma matriz curricular, com disciplinas estanques ocupando as colunas (direção vertical), e, nas linhas (direção horizontal), séries, definidas basicamente em termos da quantidade de conteúdos previamente transmitida nas várias disciplinas.
A metodologia usada na escola se caracteriza, basicamente, por uma forma de ensinar que se reduz a expor verbalmente os conteúdos a serem aprendidos, e por uma forma de aprender que se reduz a absorver passivamente esses conteúdos.
Nessa metodologia, o papel do aluno, longe de ser o de protagonista de sua própria educação, não é nem mesmo o de ator coadjuvante ou de figurante: é o de platéia. No processo de sua educação seus interesses não contam, ele é passivo, não age, e sua aprendizagem é vista como uma decorrência daquilo que o professor faz, não daquilo que ele, aluno, faz.
Coerentemente com este divórcio entre processos cognitivos e processos vitais, a escola é uma instituição isolada do restante do mundo, sem integração com a comunidade, cujo único contato externo vital é com a entidade mantenedora (as Secretarias e o Ministério da Educação, no caso de instituições públicas).
- A tecnologia certamente adentra até mesmo a escola tradicional, mas o uso que se faz dela é não criativo e conservador, voltado para reforçar a prática pedagógica vigente, toda ela centrada na transmissão de conteúdos verbais aos alunos.
1.1. Identificar, inicialmente através de concursos abertos a escolas públicas que apresentarem projetos, escolas que possam atuar como parceiras do IAS na consecução dos objetivos do programa.
1.2. Organizar e coordenar o trabalho de consultores que atuem no nível central e/ou junto as escolas-parceiras para garantir a unidade de objetivos e ações do programa.
1.3. Capacitar e orientar, através dos consultores ou de outros meios, todos os segmentos das escolas parceiras (alunos, professores e direção) no desenvolvimento de seus projetos.
1.4. Avaliar constantemente as atividades do programa para garantir que seus objetivos estão sendo alcançados com eficiência.
1.5. Construir uma Tecnologia Social, com base na experiência das escolas-parceiras, que, levando em conta as profundas transformações que as novas tecnologias de informação e comunicação vêm promovendo na sociedade, e explorando, de maneira crítica e inovadora, o seu potencial para a educação, concebida como desenvolvimento humano, permita que adolescentes e jovens brasileiros se capacitem, em larga escala, para viver vidas autônomas, solidárias e produtivas, de forma competente e responsável.
2.1. No nível da Advocacia, defender, junto à sociedade, a necessidade de melhorar a qualidade da educação, explorando o uso da tecnologia na promoção de formas criativas e inovadoras de ensinar e aprender que possam contribuir para o pleno desenvolvimento dos alunos como pessoas, cidadãos e profissionais.
2.2. No nível da Mobilização, convocar educadores para trabalhar visando ao desenvolvimento de competências e habilidades nos alunos, através de projetos transdisciplinares de aprendizagem, voltados para a solução de problemas reais dos alunos e da comunidade em que vivem, que, fazendo uso criativo e inovador da tecnologia, possibilitem a participação ativa e significativa dos alunos.
2.3. No nível da Pedagogia Social, instrumentar os diferentes atores da área da educação para a ação pedagógica que, usando a tecnologia como ferramenta, capacite o aluno para o aprendizado ativo e significativo, no plano pessoal e colaborativo.