1º Semestre de 1999 - Edição do Ano 2000
Ao longo do primeiro semestre de 1999 a Microsoft e o Instituto Ayrton Senna
discutiram as possibilidades de uma parceria envolvendo “Iniciativas Inovadoras
de Informática na Educação”. Os entendimentos logo deixaram evidente que seria
necessário buscar um terceiro parceiro: um fabricante de computadores. A escolha
oportunamente recaiu na Microtec, que, posteriormente, passou a ser controlada
pela Gateway (e, mais tarde, se separou da Gateway).
Inicialmente os dois parceiros definiram as grandes linhas do esforço cooperativo entre eles, concluindo-se que a melhor alternativa seria a realização de uma série de concursos anuais (o número foi originalmente fixado em três), envolvendo, inicialmente, um número restrito de estados, mas com a expectativa de se tornar de âmbito nacional, com o objetivo de selecionar e premiar escolas que submetessem os melhores projetos de uso inovador da informática na educação.
O balisamento inicial cobria quatro grandes temas (que é
interessante resgatar para que se tenha uma noção da evolução do projeto):
** O Contexto Social: A “Onda Jovem” **
O Brasil entra no século 21 com um perfil demográfico inédito em sua história: a
faixa etária que reúne o maior número de pessoas é a da adolescência – não mais
a da infância. Essa constatação impõe à sociedade brasileira a necessidade de
repensar o conjunto de suas ações na área social, independentemente da natureza
das instituições envolvidas (se governamentais, empresariais ou do Terceiro
Setor).
A faixa etária da adolescência, além de majoritária, enfrenta uma série de difíceis problemas: baixa escolaridade, falta de opções de cultura e lazer, dificuldade para encontrar trabalho interessante, envolvimento com drogas, e alto risco de cair na marginalidade.
Se não se aproveitar a energia dos adolescentes para melhorar a sociedade, criando-se para eles caminhos para a sua inserção social, as conseqüências, para eles e para a sociedade, podem ser devastadoras.
** O Contexto Pedagógico: O Desafio da Educação **
No entanto, na escola, que deveria ser o mecanismo principal
dessa inserção, os adolescentes e jovens aprendem pouco e o pouco que aprendem
não tem aplicação na vida que vivem.
O mundo globalizado depende da produção constante de novos conhecimentos. Mudanças recentes nas formas de produção e comunicação exigem que as pessoas estejam aprendendo sempre.
Diante desse desafio, o governo tomou a iniciativa de promover uma reforma da educação básica brasileira, que passa a ter como foco o desenvolvimento de competências e habilidades – não a transmissão, pura e simples, de informações. As pessoas hoje na escola precisam “aprender a aprender”, porque vão precisar aprender ao longo de toda a sua vida.
Mas é preciso encontrar formas de colocar essas idéias em prática.
** O Contexto Tecnológico: a Revolução da
Informática **
Já é lugar comum dizer-se que as transformações produzidas
pela Informática configuram uma verdadeira revolução que afeta não só o setor
produtivo (especialmente o industrial) e o comercial, mas, também, a cultura, os
valores, as relações interpessoais. A educação não pode ficar à margem dessa
revolução.
No entanto, não se trata apenas de colocar computadores em escolas. Não se trata nem mesmo de usar esses computadores para produzir trabalhos escolares, realizar cálculos mais complexos, ou dar mais concretude a conceitos e geometria, física, e química. Trata-se, isto sim, de encontrar novas formas de ensinar e aprender e, até mesmo, de rever próprio conceito de educação. É preciso usar a tecnologia para transcender os conteúdos disciplinares e alcançar a interdisciplinaridade, para integrar o que é aprendido ao mundo real, extra-escolar, para preparar as pessoas para a o trabalho e para a cidadania.
** O Contexto Conceitual: Os “Quatro Pilares”
**
Diante desse quadro, é preciso mudar o foco. A solução que nos permitirá
enfrentar os desafios à juventude e à própria educação não está em fazer melhor
o que já se faz, mas, sim, em buscar soluções inéditas e radicais.
Este projeto procurará buscar soluções
ainda não tentadas. Procurará levar a sério a tese de que a educação deve
desenvolver competências e habilidades. E centrará sua atenção em competências e
habilidades relacionadas ao aprender a conhecer,
ao aprender a fazer, ao
aprender a conviver e ao aprender a ser,
que envolve a construção da identidade e o projeto de vida de cada jovem. Estes
são os “Quatro Pilares” da educação propugnados pela UNESCO. É sobre eles que se
pretende construir o projeto.
02-May-2004 19:40