Novas Formas de Ensinar e Aprender:
“Educação Orientada para Competências” e “Currículo Centrado em
Problemas”
As
expressões que estão no título deste texto fazem referência a uma proposta
pedagógica inovadora. Seu caráter inovador se revela quando começamos a
investigar o que é que uma “educação orientada para competências” e um
“currículo centrado em problemas” procuram substituir.
Nossa
educação, hoje, e por um bom tempo, não tem sido orientada para o
desenvolvimento de competências e habilidades nos alunos, mas, sim, para a
absorção, por parte deles, de conteúdos informacionais: fatos, conceitos e
procedimentos.
Os
currículos utilizados nesse tipo de educação, por sua vez, são centrados, não
na análise e na tentativa de solucionar problemas, mas em disciplinas, que são
o respositório dos conteúdos informacionais mencionados, e que, em geral, são
apresentadas aos alunos de forma abstrata, totalmente desvinculada dos
problemas fundamentais que um dia levaram o ser humano a se interessar por esse
tipo de questão.
Assim, a
aprendizagem dos alunos é caracterizada como a absorção dos conteúdos informacionais
das várias disciplinas que compõem o currículo, e espera-se que essa
aprendizagem seja o resultado mais ou menos automático de um ensino que, o mais
das vezes, não vai além da mera apresentação de parte dos conteúdos a serem
absorvidos – a outra parte ficando por conta dos livros didáticos, cuja leitura
também se espera que vá redundar em aprendizagem (i.e., na absorção dos
conteúdos informacionais que foram lidos).
Quando se
afirma que a escola precisa encontrar novas formas de ensino e aprendizagem, se
deseja sobreviver os momentos difíceis que atravessa, não se tem em mente
apenas aperfeiçoar as atuais formas de ensino e aprendizagem, torná-las mais
eficientes e, ao mesmo tempo, como se fosse possível, mais agradáveis. O que
critica é o próprio modelo, ou paradigma de aprendizagem, e, conseqüentemente
de ensino, que hoje impera. Conseqüentemente, é preciso “virar as coisas de
ponta cabeça”, recomeçar do zero.
É
interessante notar que o modelo ou paradigma que hoje é hegemônico não possui
fundamentação teórica ou justificativa séria. Quando as coisas são colocadas
nestes termos, poucos são os que explicitamente endossam a tese de que educar é
ensinar às crianças os fatos, os conceitos e, se for o caso, os procedimentos
envolvidos nas várias disciplinas: estudos sociais ou, especificamente,
história, geografia; ciências ou, especificamente, biologia, física, química;
matemática; filosofia; língua materna; uma língua estrangeira. Esse modelo ou
paradigma foi se infiltrando na escola, e acabou alcançando condição de
hegemonia, apenas porque é mais fácil de ser colocado em prática do que as
alternativas. Na realidade, ele contradiz virtualmente tudo o que sabemos sobre
o que é que motiva as crianças a aprender e como elas de fato aprendem.
Não se pode
ignorar que antes de entrar na escola a criança aprende uma quantidade enorme
de coisas: aprende a diferenciar a suas impressões sensoriais e a identificar
objetos e pessoas; aprende a pegar e a manipular objetos; aprende a ficar de pé
e eventualmente a andar; aprende a gostar de determinadas coisas e a não gostar
de outras, desenvolvendo nítidas preferências; aprende a responder
adequadamente ao contato de terceiros (conhecidos ou estranhos); aprende a
identificar sons, em especialmente os sons da fala humana; aprende primeiro a
expressar o que deseja através de gestos e sinais, aprende a imitar gestos e
sons e, eventualmente, aprende a falar; aprende a se alimentar sozinha; aprende
a controlar sua bexiga e seus intestinos; aprende que não deve fazer determinadas
coisas; aprende a demonstrar carinho e a agredir os outros, quando contrariada;
aprende eventualmente a identificar símbolos, desenhos, sons e mesmo palavras
escritas com seus referentes – e assim por diante. Algumas crianças aprendem
até mesmo a ler e a escrever virtualmente sozinhas. Outras crianças aprendem a
se locomover, sem se perder, em espaços relativamente complexos – como um sítio
ou mesmo as ruas de uma grande cidade.
Registre-se,
porque de fundamental importância, que nenhum desses aprendizados envolve a
absorção pura e simples de informação – em todos eles o essencial é o
desenvolvimento de competências e habilidades – sensório-cognitivas,
psico-motoras, emocionais e sociais (interpessoais). Registre-se ainda que em
nenhum desses casos há um processo de ensino formal e institucionalizado: a
criança aprende observando, imitando, e respondendo a intermitentes
intervenções (estimulações ou provocações, no bom sentido) daqueles que
compartilham o seu mundo.
Além do
mais, aprender todas essas coisas dá grande prazer às crianças – sua
curiosidade inata as torna automotivadas e em nenhum momento o aprendizado lhes
parece doloroso ou entediante. Aprender é parte de sua vida – na verdade, a
parte principal da sua vida. Brincar, para elas, é aprender, e aprender é
brincar.
Por fim,
ajudar as crianças a aprender essas coisas todas é um processo relativamente
simples – até as pessoas mais simples, sem educação geral e sem formação
especializada na área de pedagogia da pré-escola, conseguem ajudar a criança
nesse processo alegre de aprendizado.
Se, ao
entrar na escola, o aprendizado subitamente se torna aborrecido e mesmo sofrido
para as crianças, isto parece ser muito mais por falha da escola do que das
próprias crianças – pois nada fundamental se altera nelas, além do fato de que
seu aprendizado agora deve se processar principalmente no ambiente organizado e
estruturado da escola, que altera drasticamente a natureza do processo de
aprendizagem.
Primeiro,
na escola o aprender desvincula-se do brincar e se torna uma obrigação. Falando
mais tecnicamente, na escola corta-se o vínculo anteriormente existente entre
processos cognitivos e processos vitais – entre aprendizagem e vida, entre
aprendizagem e experiência.
Segundo, o
objeto do aprendizado escolar deixa de ser o desenvolvimento de competências e
habilidades nos alunos para se tornar a absorção, por eles, de grandes
quantidades de informação: fatos, conceitos, procedimentos.
Terceiro, o
aprender deixa de ser, conseqüentemente, algo ativo, que a criança faz, para ir
se tornando, mais e mais, um sub-produto esperado da ação do professor – algo
que se espera que o professor faça, através do ensino. Espera-se que, através
do ensino, o professor gere o aprendizado na criança. Desta forma, o aprendizado
não é algo que a criança faz, mas algo que lhe é feito – algo que ela “sofre”
(em mais de um sentido).
Quarto, a
escola, além de, num procedimento totalmente artificioso, criar horas e locais
específicos para a criança “aprender” determinadas coisas, gera na criança a
idéia, extremamente nociva, de que aprender não é um processo natural,
agradável e contínuo, que começa com o nascimento (ou antes) e termina apenas
com a morte, mas, sim, algo artificial, difícil e doloroso, que, tendo começado
quando a criança entra na escola, termina quando ela, com enorme alívio, deixa
a escola, sendo o seu aprendizado (visto como resultado e não como processo)
certificado através de um diploma.
Quinto,
estipula-se que todos devam aprender as mesmas coisas, pelos mesmos métodos,
nos mesmos ritmos e nos mesmos momentos – independentemente de seus interesses,
de suas aptidões, de seu estilo cognitivo, de seu estado de espírito, etc.
Sexto, a
escola pressupõe que as pessoas não são intrinsecamente inclinadas a aprender e
que, portanto, precisam ser obrigadas a fazê-lo, para tanto construindo o
processo de aprendizagem em cima de mecanismos artificiais de recompensas e
punições que ajam como motivadores externos.
Sétimo, o
modelo ou paradigma é ainda mais malévolo, pois a atenção da escola
concentra-se nos eventuais “pontos fracos” das crianças, tendo em vista o
objetivo (que a escola compartilha com a linha de montagem) de que todas as
crianças estejam “padronizadas” (e, portanto, sejam intercambiáveis) ao final
do processo. Assim, se uma criança gosta de escrever e sabe escrever bem, mas
não gosta de matemática ou desenho, nem é muito competente nessas áreas, a
escola a obriga a concentrar a atenção nas coisas que ela não gosta de fazer e
a deixar de lado os seus interesses.
Esse modelo
ou paradigma de ensino e aprendizado mata a curiosidade natural das crianças e,
em alguns casos, as marca de tal forma que ela fica traumatizada. (Traumas com
matemática e com língua materna são comuns).
Como disse
atrás, esse modelo ou paradigma de educação que hoje é hegemônico não possui
fundamentação teórica ou justificativa séria – pelo contrário, ele contradiz
virtualmente tudo o que sabemos sobre o que é que motiva as crianças a aprender
e como elas de fato aprendem. Esse modelo ou paradigma foi se infiltrando na
escola, e acabou alcançando condição de hegemonia, apenas porque é mais fácil
de ser colocado em prática do que as alternativas.
É preciso
que pessoas de fora da área pedagógica nos chamem a atenção para esse fato. Eis
o que diz Peter Drucker, em As Novas Realidades:
“Instruir — mesmo no alto nível exigido por uma sociedade de
trabalhadores intelectuais — é uma tarefa mais fácil do que transmitir aos
estudantes o desejo de continuarem aprendendo e as habilidades e conhecimentos
que necessitarão para fazê-lo. Até hoje nenhum sistema escolar se dispôs a
enfrentar essa tarefa. . . . No entanto, nós sabemos como as pessoas aprendem a
aprender: e já o sabemos há dois mil anos. O primeiro e mais sábio autor sobre
a educação das crianças, o grande biógrafo e historiador grego Plutarco,
explicou isso claramente em seu belo livrinho Paidea (“Formação
das Crianças”), no primeiro século da era cristã. Basta tornar os alunos realizadores,
basta concentr[ar] nos seus pontos positivos e nos seus talentos a fim de que
eles possam se sobressair em tudo o que souberem fazer bem. Qualquer mestre de
jovens artistas — músicos, atores, pintores — sabe disso; qualquer instrutor de
jovens atletas também. Mas as escolas não o sabem e, ao invés, concentram-se
nos pontos fracos e nas deficiências dos alunos. Quando um professor convoca os
pais de um garoto de dez anos, ele geralmente começa dizendo: ‘O seu Joãozinho
precisa estudar mais a tabuada; ele está muito atrasado’. Raramente o professor
dirá: ‘A sua Maria deveria dedicar-se mais à redação para poder fazer melhor o
que ela já faz bem’. Os professores — do primário à universidade — tendem a se
concentrar mais nas deficiências dos alunos, e por bons motivos: ninguém pode
prever o que uma criança de dez anos estará fazendo dez ou quinze anos mais
tarde. Nessa fase não é possível sequer eliminar muitas opções. A escola tem
que imbuir em seus alunos as habilidades básicas [de] que irão precisar em
qualquer caminho que porventura escolham, pois em qualquer um eles terão que
saber atuar. Mas um bom desempenho não pode fundamentar-se em deficiências, nem
mesmo em deficiências corrigidas: o bom desempenho nasce somente dos pontos
positivos, das qualidades, dos talentos. E esses as escolas tradicionalmente ignoram,
ou consideram mais ou menos irrelevantes. Aquilo que um aluno tem de bom não é
causa de problemas — e todas as escolas estão polarizadas nos problemas. Na
sociedade instruída, os professores terão que aprender a dizer: ‘Quero ver o
seu Joãozinho, ou a sua Maria, escrevendo muito mais; seu filho tem talento, e
esse talento precisa ser desenvolvido e aperfeiçoado.’ . . . As novas
tecnologias do ensino tornarão isso possível, além de praticamente forçarem
escolas e professores a se concentrar nos pontos fortes e nos talentos dos
alunos” [As Novas Realidades (tradução do Inglês de Carlos Afonso Malferrari
(Livraria Pioneira Editora, São Paulo, SP, 1989), pp. 203-204].
Freqüentemente
nós, educadores, que de certo modo vivemos dentro da escola, perdemos o ângulo
de visão e o senso crítico e acabamos por crer que o que se exige são apenas
pequenos ajustes aqui e ali, melhores livros didáticos, aparelhos de televisão
e video-cassete em casa sala de aula e um laboratório de informática. Mas não,
o modelo ou paradigma é que está errado. John Keating, em A Sociedade dos
Poetas Mortos, conseguiu romper com o modelo ou paradigma mandando os alunos
rasgar seus livros didáticos, sair da sala de aula e ir para fora da escola –
para aprender poesia – sem usar tecnologia alguma...
Quem está
de fora, porém, não deixa de ver o perigo que o modelo ou paradigma de educação
que se tornou hegemônico na escola representa para o desenvolvimento das
crianças.
Samuel
Butler, o grande autor de Erewhon, no século XIX, disse:
“Às vezes fico a imaginar porque é que que a escola não causa mais danos
aos jovens, e como é que eles, em geral, acabam crescendo sensatos e bons,
apesar das tentativas deliberadas da escola de distorcer e mesmo de impedir seu
crescimento. Alguns, naturalmente, não conseguem escapar dos efeitos danosos da
escola e sofrem até o fim de suas vidas por isso. Outros, porém, poucos danos
parecem sofrer, e alguns até se safam sem dano algum. A resposta parece ser que
o instinto natural dos jovens, na maior parte dos casos, se rebela de forma tão
absoluta contra o que a escola tenta fazer com eles que, não importa o que
tentem os professores, não conseguem que seus alunos os tomem realmente a
sério”.
Karl
Popper, que cita a passagem de Butler em seu livro A Sociedade Aberta e seus
Inimigos, acrescenta:
“Tem se dito, e com muita verdade, que Platão foi o inventor de nossas
escolas e universidades. Não conheço melhor argumento para uma visão otimista
da humanidade, nem melhor prova de seu amor indestrutível pela verdade e pela
decência, de sua originalidade e de sua saúde mental, do que o fato de
que essa devastadora instituição não tenha sido capaz de arruiná-la
totalmente”.
Comenta,
com grande poder de percepção, Marshall McLuhan:
“Platão, em todo seu esforço de imaginar uma escola ideal, deixou de
notar que Atenas era uma melhor escola do que qualquer universidade que ele
conseguisse inventar” [Understanding Media: The Extensions of Man (McGraw-Hill
Book Co., New York, NY, 1964), p.49]
Foi Platão
que inventou – mas foi a sociedade industrial que aperfeiçoou. Eis o que diz
Alvin Toffler:
"Educação de massa foi a máquina engenhosa construída pela
sociedade industrial para produzir o tipo de adulto de que ela necessita, . . .
um sistema que, em sua própria estrutura, simulava essa sociedade. O sistema
não emergiu instantaneamente. Mesmo hoje ele ainda retém elementos da sociedade
pré-industrial. Contudo, a idéia de agrupar grandes massas de estudantes
(matéria-prima) para serem processados por professores (trabalhadores) em uma
escola centralizada (fábrica) foi uma solução de gênio industrial. Toda a
hierarquia administrativa da organização, à medida que foi aparecendo, seguia o
modelo da burocracia industrial. A própria organização do conhecimento em
disciplinas permanentes foi fundada em pressupostos industriais. As crianças
marchavam de lugar em lugar e se assentavam em locais preestabelecidos. O sinal
tocava para anunciar a hora de mudanças. A vida interna da escola assim se
tornou um espelho antecipatório da sociedade industrial, uma introdução
perfeita a ela. As características mais criticadas da educação hoje — sua
regimentação, sua falta de individualidade, os sistemas rígidos de disposição
física da sala de aula, de agrupamento das crianças por classes e séries, de
notas, o papel autoritário do professor — são exatamente as características que
fizeram da escola pública de massa um instrumento tão efetivo de adaptação à
sociedade industrial." [Future Shock, (Random House / edição encadernada,
New York, 1970, e Bantam Books / edição em brochura, New York, 1971), p.400 da
edição em brochura; cf. pp.186,272,398-427,447.]
Quanto se
propõe que a educação seja orientada para competências, o que se pretende é que
o aprendizado escolar se organize não mais em função de conteúdos
informacionais a serem transmitidos, mas, sim, em função de competências e
habilidades que as crianças devem desenvolver em continuidade com as
competências e habilidades que vinham desenvolvendo na fase pré-escolar.
Peter
Drucker, no livro já mencionado, aponta a direção:
“Nós sabemos que diferentes pessoas aprendem de maneira diferente;
sabemos que, na realidade, o [estilo de] aprendizado é tão pessoal quanto uma
impressão digital. Não há duas pessoas que aprendam da mesma maneira. Cada um
tem uma velocidade diferente, um ritmo diferente, um grau de atenção diferente.
Se lhe for imposto um ritmo, uma velocidade, ou um grau de atenção estranho,
haverá pouco ou nenhum aprendizado. Haverá apenas cansaço e resistência. Nós
sabemos . . . que pessoas diferentes aprendem matérias diferentes de maneira
diferente. A maioria de nós aprendeu a tabuada através da repetição e dos
exercícios. Mas os matemáticos não ‘aprendem’ a tabuada: eles a ‘captam’, por
assim dizer. Da mesma forma, os músicos não aprendem a ler uma partitura: eles
a ‘percebem’. E nenhum atleta nato jamais teve que aprender como pegar uma
bola. Algumas coisas de fato têm que ser ensinadas — e não apenas valores,
percepções e significados. Um professor é necessário para identificar os pontos
fortes do aluno e para direcionar um talento à sua realização. Nem mesmo um
Mozart teria se tornado o grande gênio que foi sem seu pai que era um
verdadeiro mestre. . . . A nova tecnologia . . . é uma tecnologia de
aprendizagem, e não de ensino. . . . Não resta dúvida que grandes
mudanças irão ocorrer nas escolas e na educação — a sociedade instruída irá
exigi-las e as novas teorias e tecnologias de aprendizagem acabarão por
efetivá-las” [pp.212,215].
Mais especificamente,
quais seriam essas competências e habilidades?
A título
ilustrativo, e sem pretensão de ser exaustivo, listo abaixo um conjunto de
habilidades, agrupadas em diversas competências básicas, que me parecem
fornecer a base para uma educação orientada para a competência de crianças e
jovens até por volta dos dezoito anos.
I. Competência na Absorção da Informação
1.
Habilidade de bem
utilizar os sentidos e de aprimorar a acuidade dos sentidos (aprender a
perceber)
2. Habilidade de entender
e corretamente interpretar a linguagem corporal
3. Habilidade de entender
a linguagem verbal falada e escrita e desenvolvimento da capacidade de ler com
compreensão e rapidez
II.
Competência na Transmissão da Informação e na Comunicação
4. Habilidade de se
expressar bem em língua materna falada e escrita
5.
Habilidade
de se expressar bem em língua estrangeira (em especial, no caso do Brasil,
o
Inglês e o
Espanhol)
6. Habilidade de se
expressar bem através da linguagem não-verbal (especialmente a corporal)
III.
Competência no Acesso à Informação
7. Habilidade de buscar e
pesquisar a informação em qualquer dos meios em que esteja armazenada
8. Habilidade de memorizar
a informação essencial e de uso constante
9.
Habilidade de organizar
organizar e arquivar a informação e de localizar e recuperar com facilidade e
rapidez a informação não memorizada
IV.
Competência na Análise da Informação
10.
Habilidade de analisar
criticamente e avaliar a informação textual, numérica, estatística, gráfica,
sonora, e visual
11.
Habilidade de
raciocinar logicamente
12.
Habilidade de perceber
padrões, conformações, tendências, analogias, sutilezas, ironias, sarcasmos,
humor,etc.
V.
Competência Epistemológica, Ética e Estética
13.
Habilidade de
diferenciar questões que envolvem o verdadeiro, o bom (certo) e o belo e de
discernir critérios que adequadamente o verdadeiro do falso, o bom (certo) do
mau (errado) e o belo do feio
14.
Habilidade de aplicar
esses critérios no dia-a-dia e de agir e viver coerentemente com os seus
princípios
15.
Habilidade de, a
despeito dos desincentivos, apreciar o verdadeiro, o bom (certo) e o belo
VI.
Competência na Compreensão
16. Habilidade de
compreender o funcionamento do mundo físico
17. Habilidade de
compreender o comportamento de seres vivos
18. Habilidade de
compreender o ser humano, no plano individual e social
19. Habilidade de
compreender as manifestações culturais do ser humano
20. Habilidade de
compreender o poder transformador dos sonhos e das utopias
VI.
Competência no Relacionamento Interpessoal
21. Habilidade de se
relacionar bem com as pessoas
22. Habilidade de negociar,
de administrar pressões e de gerenciar conflitos
23. Habilidade de controlar
as emoções, gerenciar tensões e reduzir stress
VII.
Competência no Plano Pessoal
24.
Habilidade de decidir
com base em princípios e de agir, no momento oportuno, de acordo com as
decisões tomadas
25.
Habilidade de
solucionar problemas
26.
Habilidade de gerenciar
mudanças
VIII.
Competência no Gerenciamento de Longo Prazo da Vida
27.
Habilidade de planejar
projetos de vida e as estratégias para alcançá-los
28.
Habilidade de
administrar o tempo (distinguir o importante do urgente, e ambos do
não-importante e/ou não-urgente, e priorizar as atividades)
29.
Habilidade de
reconhecer os erros e de aprender com eles
30.
Habilidade de, quando convencido da justeza do curso de ação traçado,
persistir nele, mesmo na face de adversidades
O que se
propõe aqui é, de certo modo, um MBA em miniatura. Executivos hoje pagam mais
de 50 mil dólares para obter essas competências – porque a escola se dedica a
obrigar os alunos a memorizar as listas dos faraós do Egito, os afluentes da
margem esquerda do Amazonas, a tabela dos elementos.
Como é que
se desenvolvem essas competências e essas habilidades?
É aqui que
entra a noção de currículo – mas não um currículo centrado em disciplinas, como
os que nos são familiares, mas, sim, um currículo centrado em problemas cuja
resolução pode ser buscada através de projetos de interesse dos alunos.
É bastante
evidente que as competências e habilidades listadas atrás podem ser
desenvolvidas em projetos os mais variados que buscam soluções para problemas
os mais diversos. Mas esses projetos não podem se restringir a atividades que
se desenvolvem dentro das disciplinas tradicionais. Para que tenham impacto, é
preciso que sejam interdisciplinares e que se relacionem com questões que sejam
de interesse dos alunos.
Para que o
desenvolvimento das competências e habilidades se dê de forma prazerosa e não
impositiva, é indispensável que os projetos e, dentro deles, as atividades
selecionados para promovê-las, estejam estreitamente relacionados com os
interesses dos alunos.
Os chamados
Temas Transversais que o Ministério da Educação vem procurando promover através
dos Parâmetros Curriculares Nacionais são, na realidade, conjuntos de
problemas, em geral de interesse de todos (sexo, droga, violência, saúde,
consumo, etc.), que poderão eventualmente servir como novo eixo de ordenamento
do currículo, que substituirá, tardiamente, o eixo disciplinar.
Nesse
contexto, o professor deve agir, menos como especialista em conteúdo, e mais
como pessoa de apoio que, não importa qual seja os interesses dos alunos, saiba
relacionar esses interesses com o desenvolvimento de competências e habilidades
como as descritas e saiba, sempre que necessário, fazer referência a conteúdos
informacionais que possam ajudar no desenvolvimento do projeto.
Os
conteúdos informacionais, assim situados, deixam de ser o objeto central da
ação educacional e passam a ser instrumentos que podem ajudar no processo de
solução de problemas que, por seu turno, levará ao desenvolvimento de
competências e habilidades que, este sim, será o objeto final da ação
educacional.
Eduardo Chaves
Campinas, 1 de Agosto de 2000
(c) Eduardo O C Chaves
02-May-2004 19:41