Celso Vallin - Texto 4
O Desenvolvimento Humano e a Rede Virtual
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Celso Vallin
O que entendemos como desenvolvimento humano?
“Todas as experiências são válidas; as que fracassam, as que dão certo, as que degeneram e as que regeneram, à medida que somos capazes de registra-las, de processa-las, de discuti-las, de transforma-las, dessa forma, em ensinamentos para avançar cada vez mais.” (SINGER, 2001)
Vivemos momentos diferentes.
Século XX e Mudança de Paradigma.
Por todo o século XX a sociedade foi hierarquizada para o desenvolvimento e foram criados empregos, profissões e postos de trabalho. Aparentemente caminhamos.
Temos mais conforto do que há cem anos. Temos automóveis, metrô e ônibus e com isso podemos aceitar aquele emprego do outro lado da cidade, ou mesmo na cidade vizinha. Aviões nos colocam em lugares longínquos fazendo o mundo parecer pequeno. Oportunidades de negócios se abrem. Com o telefone e os satélites conversamos com parentes distantes e nos sentimos mais próximos. Artefatos de plástico nos ajudam desde a cozinha até o automóvel. Medicamentos e tantos outros benefícios podem ser apontados como progresso e desenvolvimento humano.
Hoje estamos descobrindo que o modelo em que vivemos é muito individualista e que as pessoas querem mais “qualidade de vida” do que “qualidade total”! Estamos ficando cansados de dar prioridade para a economia e para a otimização e racionalização. Queremos recuperar os momentos de gratuidade e situações que valorizem a pessoa humana. O modelo individualista tem excluído grandes partes da população, que vivem abaixo da linha da pobreza.
Estamos entrando na era da informação e do conhecimento. Isso tem provocado novas mudanças na sociedade e na escola. Precisamos por isso desenvolver novos conhecimentos. Precisamos aprender a lidar com essa nova situação.
Podemos mudar as duas coisas ao mesmo tempo - passar da sociedade da produção para a sociedade do conhecimento e ao mesmo tempo passar da sociedade individualista para uma sociedade mais humana e justa.
Ou não! É uma opção, de cada um e de todos nós.
Apesar de todo o aparente desenvolvimento humano conseguido no século XX, mais de 30% da população no Brasil é considerada analfabeta funcional. A exclusão aparece mais ainda quando olhamos para certos grupos dentro da sociedade. Se tomarmos os afro-descendentes que moram na região nordeste esse número chega a 57%! (Garcia, 2001:16). Dentro de nossa escola ou dentro de nossa cidade podemos identificar regiões e grupos de pessoas com semelhante desprivilegio.
Que país é este? Nas favelas, no Senado / Sujeira pra todo lado / Ninguém respeita a Constituição / Mas todos acreditam no futuro da nação / / Que país é este ? // No Amazonas, no Araguaia, na Baixada Fluminense / Mato Grosso, nas Gerais e no Nordeste tudo em paz / Na morte eu descanso mas o sangue anda solto / Manchando os papéis, documentos fiéis / Ao descanso do patrão // Que país é este? // Terceiro mundo se for / Piada no exterior / Mas o Brasil vai ficar rico / Vamos faturar um milhão / Quando vendermos todas as almas / Dos nossos índios em um leilão. // Que país é este???? (Renato Russo)
Ou que sociedade é essa? Será esse o desenvolvimento humano que pretendemos?
A nova escola pode ser um caminho para o desenvolvimento da sociedade. Se conseguirmos fazer uma escola mais justa, onde cada pessoa seja aceita e respeitada, onde se aprenda a conviver cooperando e não competindo, onde a pessoa não seja um elo do sistema mas seja vista com o respeito e o direito que uma pessoa humana merece, talvez ajudemos a formar uma nova sociedade. Podemos mudar para a sociedade do conhecimento ao mesmo tempo em que mudamos para essas novas atitudes e relações.
Apesar da quantidade de iletrados, os poucos que terminam uma Faculdade (Formação Inicial), também não podem se considerar garantidos. Não há mais a possibilidade da pessoa se estabilizar num conhecimento. Dentro do novo paradigma que vive a sociedade atual, em nenhuma profissão podemos deixar de estudar e de pensar, discutir, dialogar, experimentar. Precisamos continuar aprendendo sempre.
Convivemos hoje com o velho e o novo simultaneamente. Tentamos passar de uma sociedade altamente hierarquizada, onde cada um obedece alguém e dá ordem a outros, para uma sociedade com situações de maior participatividade nas decisões que nos afetam, envolvendo análise, diálogo, conhecimento, maturidade e negociação. Queremos sair deste sistema onde poucos são considerados como pensadores e tantos outros são usados como simples executores - pessoas encarregadas de fazer mover o sistema produtivo. Mesmo no sistema escolar, alguns poucos planejavam (elaborando os programas, currículo e atividades), expressando suas idéias em diretrizes, livros ou apostilas. Outros, muitos, eram encarregados de aplicar aqueles esquemas aos alunos. Com o surgimento das franquias de Sistemas de Ensino (Anglo, Objetivo, Positivo, ...) isso piorou. O que alguns chamam de “escola de qualidade” pode ser visto como uma excelência dentro do modelo individualista. Nos sistemas de produção em massa, muitas vezes a pessoa é usada como se fosse uma máquina. A doença LER - lesão por esforços repetitivos - é uma das mais novas que a deformação da função humana gerou. Na escola, alguns professores saem de uma sala e entram em outra, repetindo as mesmas coisas, ano após ano, num tecnicismo maquinal. Seguem a apostila da matriz, ou diretrizes traçadas em outro país. Transformam a escola em mais uma peça do sistema produtivo. (FERREIRO, 2001).
Nesse panorama, queremos falar de uma experiência diferente e interessante. Um curso de educação a distância para professores. Uma sementinha muito pequena, mas que pode contribuir para essa necessidade de transformação.
Queremos formar e reformar os professores, dentro dessa nova postura de vida. Temos mais de 6000 escolas estaduais somente em São Paulo. O Brasil é muito grande. Muitas tentativas bonitas de mudança se perderam dentro da hierarquia que parecia necessária para atingir tanta gente. Na formação de professores (em nível de extensão universitária ou continuada), um modelo hierarquizado não serviria, porque reproduziria os defeitos que apontamos. A TV é um recurso importante, para alcançar professores e escolas, devido às dimensões do país e seu alcance. Não podemos ficar somente com a TV pela falta de interatividade que esse meio permite. Precisamos trabalhar com a expressão de cada professor em formação. Precisamos formar refletindo juntos sobre a prática nas escolas. Se o professor for formado num ambiente de aprendizagem diferente (participativo, respeitador, criativo, aberto, contextualizado, humano, justo...) teremos mais chances de ver essas idéias serem usadas na prática das escolas.
Mostraremos aqui uma experiência real. Um caso particular onde podemos justificar como alguns detalhes foram tratados. Pensamos que estas idéias, usadas na prática, apresentam um novo caminho, possível.
Formação de Professores, pela Internet
Vamos falar da experiência de um curso de educação a distância usando um ambiente de interação pela Internet. Foi usado o Teleduc num Curso de Especialização oferecido pela PUC/SP (pós-graduação, latu-sensu) para professores de escolas públicas e contou com a participação de professores das mais diversas cidades, espalhados pelo Brasil. O curso tratava de projetos pedagógicos com o uso de novas tecnologias, mais especificamente, analisaremos o módulo de Programação de Computadores com a Linguagem Logo.
Quando começamos este curso, não poderíamos imaginar que os resultados seriam tão bons. Primeiramente porque é natural que se imagine que num curso a distância tudo fica mais difícil e limitado. Depois, porque experiências anteriores mostram que não é simples ensinar a programar computadores. Sempre que a linguagem Logo e sua metodologia de uso é mal compreendida, as pessoas rejeitam de forma expressiva.
“Muitos professores alegam que os alunos se cansam depois de algum tempo de uso e querem outro tipo de atividade, e, por essa razão, quero entender o que se passa.” escreveu Silene aluna-professora de S.J. Rio Preto, SP.
Devemos lembrar que até comida gostosa cansa quando se repete sempre a mesma e quando não vem intercalada com outras coisas. A rejeição ao uso da Linguagem Logo não é caso isolado. Tem suas razões e explicações. Josevânia, aluna-professora de Rondonópolis, MT, nos enviou um texto que analisa melhor essa situação. Transcrevemos aqui somente o início dele para dar uma idéia.
“É claro que não estamos falando de algo gratuito ou aleatório. Se eu pensasse assim, não teria começado a escrever, certo? A resistência franca ou moderada à linguagem LOGO e sua já mal-afamada tartaruga tem suas origens...” (PETRY, 1996).
O professor precisa sempre saber esperar que o aluno sinta sua própria fome, ao invés de ficar enchendo-o de comida. A escola não pode nem puxar nem empurrar o aluno. Puxar no sentido de ir à frente e fazer as escolhas no lugar do aluno. Puxar significando o êxito precoce, aquela situação onde o aluno consegue chegar ao resultado sem dominar de forma segura o conteúdo e as habilidades. Empurrar no sentido de ficar cobrando resultados e criar um clima de tensão. Precisa de paz para elaborar e experimentar hipóteses, para errar e aprender a partir dos erros. Quando a escola consegue essa posição de equilíbrio, naturalmente os alunos gostam dela e ao invés de a acontecerem queixas de falta de empenho, responsabilidade ou motivação, o próprio aprendiz vai atrás do conhecimento, como nos depoimentos abaixo, espontâneos, colhidos durante o curso.
“ (...) os alunos sabiam o que estavam fazendo e começaram a criar sem limites e a exigir de mim e da outra professora mais e mais... A cada aula foram surgindo novos desafios, atividades em grupo foram sugeridas, novos desenhos, novas descobertas, onde os alunos foram determinando o ritmo e a sistemática do trabalho. A brincadeira foi ficando interessante e neste momento sentimos a nossa pouca experiência dentro do programa, para cada vez auxiliar mais os alunos. Quando a empolgação toma conta do trabalho e os alunos definem o que querem é muito gratificante poder vê-los imaginando, criando e se maravilhando com as possibilidades. Percebemos que o interesse e a curiosidade acabam gerando desafios e conflitos que sabemos ser construtores do conhecimento, e revelaram-se dados importantíssimos acerca do desempenho dos alunos. Alguns queriam desistir, outros se desafiavam cada vez mais, uns ajudavam os outros e eu e a professora dos alunos aprendíamos através das interações. Cada detalhe servia como elemento norteador para nossa atividade docente e serviam como situações de crescimento individualizado.” (depoimento de Marta (Lages, SC), num trabalho de 5h-aula, com 28 alunos entre 8 e 9 anos).
“O que posso concluir, quanto às implicações pedagógicas nesta experiência, é que o trabalho com o ambiente Logo é atraente, estimulou e motivou os alunos a desenvolver sua criatividade, pois o ambiente interativo torna diferente e excitante o ensino realizado através do computador; gera um novo envolvimento com a aprendizagem e faz com que surjam novos desafios.” Thereza (Natal, RN)
Contávamos com alunos que já são professores e que se preparam para serem formadores de outros professores. São pessoas que provavelmente já têm grande autonomia de estudo, possuem muitas habilidades desenvolvidas, estavam interessadas no aprendizado e apresentam grande responsabilidade sobre o que fazem. Saber quais os fatores que garantem um bom resultado interessa muito quando se pensa na organização e condução de outros cursos. O clima de confiança e amizade que se criou entre nós certamente ajudou. As intervenções dos professores no coletivo e a partir da fala e da ação dos alunos-professores fizeram com que o curso fosse individualizado e contextualizado. Apesar da distância (os professores estavam em São Paulo e os alunos, cada um em sua cidade e estado), o trabalho em equipe foi um desafio e ao mesmo tempo uma forma de motivação e de humanização da situação. As propriedades e facilidade de uso do Teleduc foram importantes. O princípio da formação em serviço (FREIRE & PRADO, 1996), e o desafio dado aos alunos-professores de ensinar a seus alunos uma coisa que acabavam de aprender, contribuiu muito.
Só a prática aliada a uma reflexão compartilhada e continuada poderá completar a formação destas pessoas, mas acreditamos que este curso tenha sido um bom começo. Algumas pessoas que nunca tinham visto ou trabalhado com Logo superaram nossas expectativas mais otimistas. De qualquer modo as coisas não foram fáceis. Nem para os alunos-professores nem para os alunos deles. Muita gente quis desistir no meio do curso. Algumas pessoas relataram que chegaram a chorar. Podemos ter a certeza de que muitos foram desequilibrados pelos desafios propostos.
Interatividade Prática e Conceitual
Estudamos a teoria e a prática simultaneamente e procuramos relaciona-las por meio de reflexões. Durante cinco semanas lemos alguns textos, trabalhamos com o software Super Logo e conversamos bastante. No início, houve dificuldades até para que o aluno-professor conseguisse baixar o “software” e instala-lo em sua máquina. Partimos realmente do zero e já na terceira semana começávamos a elaborar atividades para serem aplicadas com alunos. Não foi um curso teórico. Tivemos a prática. A ação (ou parte prática) aconteceu, quando o aluno-professor aprendia a mexer com o Logo e depois quando propôs dinâmicas e desafios a seus alunos, aplicou-as e avaliou-as. Nesta posição o professor foi refletindo enquanto agia - reflexão-na-ação. Uma reflexão mais distante e mais elaborada e aprofundada aconteceu paralelamente, mediante questionamentos dos professores, na relação com textos propostos e nos diálogos com os professores, e colegas de curso (principalmente dentro da ferramenta Grupo de Discussão) e quando o aluno-professor fez seus relatórios.
Em alguns anos usando a Linguagem Logo com alunos que desenvolviam projetos, ou formando e acompanhando professores que faziam o mesmo, presencialmente e não a distância, pude observar muita gente aprendendo com a prática e com a experimentação, como no sonho de PAPERT (1985) ou, como15 anos depois, na fala de Rubem ALVES (2000), de forma natural, semelhante ao aprendizado da língua materna - com o aluno indo atrás do conhecimento e sem estar submetido ao um programa que o guie.
Foi na prática, a bonita visão de uma escola diferente. Alunos entusiasmados e vibrando com seus projetos.
Naqueles anos fazíamos os projetos mas não parávamos para conversar com os alunos sobre os conceitos envolvidos, sobre as dificuldades, sobre as maneiras de encaminhar a programação pela qual cada um optou. Não percebíamos o quanto era importante o momento da avaliação e das trocas. O Super Logo usado como ferramenta de desenvolvimento de projetos acabava virando um fim. Tanto professores como alunos, algumas vezes se esqueciam, ou deixavam de descobrir o que estariam aprendendo com aquelas atividades. Cada um tinha sua maneira de pensar, em alguns casos havia trocas dentro da dupla que trabalhava em um mesmo computador. Quando a equipe era composta por mais de duas pessoas, em geral, cada dupla se encarregava de desenvolver um pedaço do trabalho e no final, quem tinha maior habilidade se encarregava de juntar as partes. Algumas vezes quem juntava os pedaços nem chegava a analisar a maneira como cada dupla ou autor fizera sua programação. Se alguém tinha visão do todo e participava de algum movimento de análise, troca e avaliação era esse aluno. Mesmo assim, a coisa era feita solitariamente. O professor, quando solicitado, em geral, se colocava na posição de ajudante ou consultor. Ele analisava a programação, dava alguns conselhos, indicava algumas estratégias, mas não compartilhava suas análises, suas avaliações e dúvidas com classe.
Fazendo uma análise mais aprofundada podemos perceber que faltava alguma coisa. Faltava-nos a percepção da importância do compartilhamento das abordagens de pensamento e encaminhamento da programação.
Falar sobre nossa maneira de encaminhar a programação ou a resolução de um problema é importante. Para explicar aos outros, temos que analisar e nos justificar. Ao mesmo tempo em que abrimos para outros nossa maneira de pensar, estamos nos passando a limpo. O ciclo de pensamento demora a se sedimentar e evoluir se não tivermos oportunidades de analisa-lo. Contar o que fizemos e pensamos e nos justificar para outros ajuda a acelerar essa sedimentação e evolução do pensamento. Olhar a maneira de pensar dos outros (escutando, conversando...) provoca comparações com nossa maneira de pensar e provoca análises. Além de percebermos possibilidades inéditas de encaminhamento de pensamento, reorganizamos as nossas.
Usando a expressão de Edith ACKERMANN (2000) - atividades de mão na massa (“hands on” que chamarei de Interatividade Prática) são essenciais para o aprendizado e para o desenvolvimento do pensamento. É o pensamento durante e na ação. É natural que uma pessoa pense enquanto trabalha. Assim todos os que transformam algum conhecimento em ação, já estão, ao mesmo tempo, analisando e avaliando sua prática. A prática é importante e quase necessária para provocar a construção de conhecimentos.
Por outro lado, se ficarmos só nisso não evoluímos tanto quanto poderíamos. É necessário que haja também o que chamaremos de Interatividade Conceitual (“heads in” para Ackerman). Ela fala de interações entre pessoas e computadores. A análise, avaliação com síntese, ou com reelaboração teórica, acontece num nível mais abstrato de pensamento e pode ser provocado pelo diálogo e justificativas entre as pessoas. Individualmente, sem a ajuda do computador ou de outras pessoas é muito mais incomum que isso aconteça. Para acelerar o desenvolvimento precisamos conversar sobre nosso raciocínio. Eu penso que Ackermann não tenha deixado claro se deseja que a Interatividade Conceitual seja feita de forma compartilhada, socialmente. Acredito que essa socialização das maneiras de encaminhar o problema de cada um seja importante e que acelere muito o desenvolvimento de nosso pensamento.
Podemos pensar no que acontece em jogos de computador. Os jogadores mais aficionados, gostam de olhar como os campeões jogaram suas partidas. Costumam também olhar como eles próprios jogaram e analisar o que foi bom e o que não foi. Isso é tão forte e natural que os fabricantes de jogos oferecem essa opção. Cada ação do jogador é registrada e memorizada e depois, o conjunto das jogadas pode ser guardado, revisto e até trocado entre jogadores. Mesmo crianças, que jogam em casa, sem nenhum compromisso ou acompanhamento adulto, costumam estudar estratégias de jogo de outros e deles mesmos. Atitudes desse tipo são positivas ao aprendizado e desenvolvimento. Gostaríamos de ter isso na escola. Isso acontece também em jogos sem computador. Crianças e adolescente que gostam de jogar xadrez, costumam ler livros e olhar neles a maneira como os grandes jogadores encaminharam suas situações. Isso é comum entre as pessoas que queiram aprender. A escola, sabendo disso, deve criar situações para trocas desse tipo e deve educar a todos para que apreciem e valorizem esses momentos de análise e troca. A análise solitária e escrita requer muita concentração, o que não é tão comum. A análise falada (e também escrita) e em grupo, é mais fácil de ser aceita, praticada e desenvolvida.
Embora Ackermann trate os conceitos apresentados como indicações para projetistas de software educacional, ou para professores que usem esses softwares, entendo que isso seja igualmente importante em outras situações de aprendizado, mesmo que não se esteja usando o computador, ou que ele não seja o centro da atividade.
Se durante uma atividade é importante que se deixe o aluno “quebrar a cabeça”, formulando suas hipóteses, testando-as e aprendendo com suas dificuldades, é igualmente importante que após a prática sejam feitos fechamentos, oportunidade em que os alunos estarão refletindo a respeito de suas vivências e das vivências dos outros. São momentos coletivos.
“... para desenhar a casa, percebi as dificuldades para fechar o triângulo da casa, no entanto deixei que desafiassem, trocavam idéias e tentavam colocar os comandos e não dava certo, mas foram persistentes e conseguiram fechar por tentativa. Ao concluírem o desenho questionei será que existe outra saída para fechar essa parte da casa eles responderam com certeza deve existir, mas não estamos conseguindo. Questionei novamente, vocês já estudaram figuras geométricas gritaram juntos matamos a charada, só foi falta de raciocínio professora só era a gente ter calculado os ângulos, se tivéssemos pensado um pouco teria sido mais fácil.” - Maria da Paz - Tauá, CE - (Tauá, Ceará), relatando a fala de seus alunos.
Isso mostra a dificuldade que todos apresentam para transferir conhecimentos de uma situação escolar para uma situação prática, mostra a importância de o professor organizar momentos de Interatividade Conceitual ou reflexão sobre a ação (PRADO, 1999). Muitas vezes essa dificuldade acontece porque o conceito não foi adequadamente trabalhado. As situações escolares costumam ser descontextualizadas e o aluno é pouco desafiado para a aplicação de conceitos em situações práticas.
A escola tradicional entrega o enunciado do conceito. Hoje percebemos que é importante que o aluno construa o conceito e para isso é preciso primeiramente a prática (hands on - Interatividade Prática) e depois que ele se expresse socialmente e participe de trocas de expressões, ajudando e sendo ajudado a perceber e formular o conceito.
Somente a atividade prática e os diálogos em torno da conceituação não completam o aprendizado. Precisamos do que Ackermann chama de “Play-back” - Transferência Conceitual na Prática. Isso é o que acontece em nossas mentes quando aplicamos o conceito que acabamos de aprender, a uma situação inédita, nova, e portanto, desafiadora.
Para que o aluno tenha certeza do que é “gato”, ele precisa ver algo que não seja gato. A diferença entre o [gato] e o [não gato] é o que lhe dará a certeza do conceito e lhe ajudará a formar os limites desse conceito. Os limites de um conceito são dinâmicos e não definitivos. Ao construirmos um conceito, estamos construindo seus limites e sua aplicabilidade. Assim, se a escola, o livro ou o professor definir os limites para o aluno ao invés de deixa-lo construí-los, ele não saberá mover esse limite, quando isso for necessário. Criar atividades práticas de transferência conceitual dá condições ao aluno de construir e verificar os limites do conceito em construção. Atividades de transferência conceitual existem infinitas e ajudam a construir o conceito. O conceito precisa estar sempre em construção e reconstrução. Por isso é importante que o aluno faça isso por si próprio na escola. Para que ele saiba continuar depois que a escola parar.
Pode se pensar em Interatividade Prática, Interatividade Conceitual e Transferência Conceitual na Prática em todas as áreas do conhecimento: Português, Geografia, Física, História ...
Talvez nas ciências exatas seja mais simples. Sinto como se nas ciências sociais os conceitos estivessem mais inter-relacionados e como se fosse mais difícil conseguir isolar os efeitos ligados a um conceito daqueles ligados a outros.
Os conceitos possuem limites e aplicabilidade. Esses limites são construídos e modificados em cada mente, conforme nossas experiências de vida. A escola precisa proporcionar atividades práticas (Interatividade Prática), em que os conceitos estejam envolvidos. Não existe conceito sem atividade prática. Não adianta fazer uma prática tecnicista e reprodutiva, do tipo - fazer tudo o que o professor (ou a apostila) disser! Fazendo experimentações, hipóteses, usos, os alunos desenvolvem a capacidade de identificar os elementos envolvidos, num certo contexto. Para perceber um conceito, é importante a conversa e a troca social (Interatividade Conceitual). Depois, a aplicação do conceito em situações diferentes, irá ajudar a firmar e ampliar seu entendimento (Transferência Conceitual na Prática).
Apesar de estarmos num curso a distância, onde seria natural se imaginar que tudo seria mais teórico e escolástico do que prático, acreditamos que conseguimos ter bastante interatividade, na prática e na formulação da teoria, bem como a aplicação dos conhecimentos que o curso se propunha a desenvolver.
O curso
Quando se pensa no papel do professor em cursos a distância, naturalmente vem o questionamento quanto à possibilidade de se ajudar as pessoas a aprenderem. Os questionamentos são maiores ainda dentro de uma visão de educação que favoreça o desenvolvimento de habilidades e não memorização de conteúdos, uma educação que favoreça o pensamento criativo e original e não para a simples reprodução de pensamentos ou de procedimentos. Acreditamos que deva ser feito o mesmo que se faria numa escola, numa situação que não fosse a distância. Criar um ambiente de aprendizagem e cuidar dele. Não dar fórmulas que pudessem ser reproduzidas, nem exercícios ou problemas cuja solução fosse conhecida. Colocar desafios e informações. Numa situação aberta, assim, ninguém pode prever que resultados serão conseguidos. É como cuidar de plantas. Podemos semear, regar e cuidar, mas não podemos determinar o crescimento e o resultado!
Contávamos com várias ferramentas de comunicação, dentro do ambiente de aprendizagem (Teleduc), mas a ferramenta Grupo de Discussão foi usada para fazermos a maior parte das reflexões sobre as ações. A leitura dos depoimentos que aconteceram no Grupo de Discussão mostra como o curso foi acontecendo e como as pessoas puderam aprender. É uma conversa muito rica, que registra as dificuldades e angústias, bem como o prazer de cada conquista; mostra o caminho entre a visão confusa e o esclarecimento das idéias; mostra uma teoria construída junto com a prática. Para facilitar a apresentação e análise resolvemos comentar as discussões e ir exemplificando com as falas dos alunos e professores.
Dificuldades e Conquistas
As dificuldades para se aprender a usar o Logo não são poucas. Muitas pessoas tem dificuldades com o raciocínio lógico e algumas vezes uma insegurança já enraizada. Experiências anteriores mostram que mesmo em ambientes presenciais, Ensinar e aprender a Linguagem Logo e sua metodologia de uso não é fácil.
Neste curso não foi diferente. Conforme pôde ser percebido pelo questionário inicial, poucos dos alunos tiveram contato anterior com o Logo. Entre eles, a maioria não teve uma experiência favorável. Os depoimentos que foram surgindo ajudam a perceber as dificuldades encontradas.
“Depois que consegui fazer aquela bichinha andar até que ela está mais simpática.” (Maria Cristina - S.J.Rio Preto, SP - em 5/10)
“Declaro que estou sentindo muita dificuldade com o Logo .Não sei se é porque tudo que tem cálculo, geometria, me dá calafrios (será que é trauma de uma professora,de que me lembrei agora?).Mas está sendo uma experiência interessante estar no lugar daquele aluno que diz: não adianta, não consigo, não gosto, não quero. Desculpem-me, mas sabe eu sei que posso aprender, que não deve ser tão difícil, mas sei lá, talvez pelo fato de ter ficado uns dias fora do ar, e ao voltar me sentir muito ansiosa por estar atrasada tenha causado um bloqueio em mim. Freud explica, né? Acho que estou na água, agora...,” (Josevânia - Rondonópolis, MT, em 5/10).
Água, foi alusão ao texto que falava de crianças que eram jogadas na correnteza de um rio, fazendo analogia às dificuldades que estas enfrentam na escola e na sociedade.
“Como, minha filha de 10 anos, consegue ser tão rápida e eu não? Tenho que primeiro quebrar a cabeça, pensar, pensar... para saber se vai dar certo.” (Kátia - Boa Vista, Roraima - em 5/10) - Mas a filha dela havia aprendido com ela, durante o curso!
“Caros colegas, meu primeiro contato com o Logo também me deixou muito ansiosa. Acostumada com Windows e programas tutoriais, a minha lógica não batia com a lógica da Programação da TAT. Me debati, rejeitei, ignorei o Logo. A falta de tempo, era a melhor maneira que eu encontrava para não estudar e explorar os comandos do Logo. Mas, insisti e fiquei horas sentada na máquina para me encontrar e interiorizar alguns comandos. Depois que consegui realizar algumas figuras, fiquei motivada e agora tenho vontade de estar descobrindo mais sobre o Logo e de reorganizar meu pensamento, já que o Logo provoca esta reorganização mental nas pessoas.” (Eliane - Campinas,SP - em 5/10).
O fato de estarmos conversando sobre as dificuldades, ajudou as pessoas a se aceitarem e mesmo algumas pessoas mais reservadas começaram a se soltar, permitindo a interação e o diálogo, tão necessários à mediação pedagógica..
“Depois de ler e refletir as colocações de vocês, tenho coragem para dizer, as dificuldades que tenho com o Logo. Estou conseguindo, devagar, fazer as atividades, mas fico pensando como utilizar o Logo com os alunos se alguns ainda tem dificuldades em trabalhar com computadores.” (Anna Luiza - São Mateus, ES -em 20/10).
O Logo é interessante, me fez trabalhar muito a lateralidade, que é um problema, ainda, em mim. Costumo falar direita, pretendendo virar à direita, mas aponto a esquerda para o meu interlocutor. Parece que tenho que sacudir a cabeça para a direita e a esquerda irem para seus lugares.Foi legal nisso. Estou quebrando a cabeça para perceber como trabalhar em outras disciplinas que não a matemática (ARGH!!!!) ou Arte, ou Física, ou Química, sem dúvida em Ed. Física. Matemática é o meu terror noturno, se tenho que fazer contas me dá uma coisa! E pensar que vou ter que fazer contas o tempo todo me aborrece.” (Maria Cristina - S.J.Rio Preto, SP - em 6/10)
“A questão da lateralidade foi muito bem colocada, pois fez-me refletir sobre a minha convivência com o Logo. Passo várias horas executando os seus comandos e, até hoje, só adquiro a segurança que o Tat irá virar para o lado certo (direita ou esquerda), quando gesticulo meus ombros e/ou braços. Olho para a tartaruguinha e para mim. Às vezes vejo isso como uma ação anormal, mas, em outro momento, não, porque eu sei distinguir bem o que é direito esquerdo. Mas, então, por quê com a Tat na minha frente eu não possuo esta segurança? Preciso agir desta forma antes de executar os comando de lateralidade? Acho muito interessante está minha insegurança com a Tat. Isso é normal???” (Kátia - Boa Vista, Roraima -, 9/10).
“Assim que coloquei o Logo em meu computador confesso que me senti igual à Jô e seu texto, jogada na água, mas gradativamente, a medida que ia superando minhas dificuldades,relembrando antigos comandos e conseguindo realizar os passos que a tartaruga ia seguir satisfatoriamente fui me sentindo mais segura e querendo aprender mais, acredito que o Logo com seus desafios desperta nos alunos essa mesma necessidade de "querer aprender mais alguma coisa" para fazer construções mais ricas,interessantes.” (Maria da Paz - Tauá, CE --, 6/10)
“O sentimento que o Logo me proporcionou inicialmente foi de desconforto, pois não conseguia comunicação com a TAT. Conhecendo os comandos gradativamente, a relação com a tartaruga ficou melhor. ... Hoje em dia, simpatizo com a TAT.” (Eliane - Campinas,SP -, 8/10)
“Caros colegas, como sei que todos acompanharam minhas não poucas dificuldades com a tartaruga, achei por bem falar o que tem sido minha experiência, o que mudou no meu conceito. No começo, eu a odiei, achava-a muito difícil, era um tal de virar para cá, ângulo não sei quanto para acolá, meu Deus, que sofrimento! Bem, consegui, depois de muita luta a lidar com ela, da
mesma forma que vocês, viro o corpo todo, quem olha deve pensar que estou maluca...Daí não conseguia salvar, um deus-nos-acuda.Chorei, esperneei, descansei... Mais calma, realizei meu intento, e tudo deu certo. Mais desafios... Como inserir essa tartaruga à língua portuguesa? Visitei então a página Internet recomendada pela colega (caleidoscópio) e amei. Comecei a ver o sentido de tudo. Agora, quando estou em casa, sem perceber, estou analisando tudo de forma geométrica, e fazendo os procedimentos em meu caderno... Acho que me viciei, no bom sentido, a sensação de que agora eu posso visualizar o que realmente quero me deixa muito mais calma. Só gostaria de que alguém me ensinasse como arredondar as medidas...
Outra coisa que descobri brincando e adorei. Se você repete várias vezes um mesmo procedimento salvo, este vai formando figuras geométricas, como em pinturas abstratas. Não é legal? Tentem.”(Josevânia - Rondonópolis, MT, 16/10)
“No primeiro momento foi desafiador, as dúvidas são muitas mas uma das minhas qualidades ou defeito é a persistência estou tentando descobrir e aprender sobre a TAT, pois esse programa requer muita atenção e leitura.” (Maria da Paz - Tauá, CE -, 18/10)
“O LOGO obriga-nos a fazer esse movimento interno. A gente cresce e aprende sobre si mesma, e suas limitações e como romper tais limitações - eu que o diga! tive urticária com a TAT no começo. Agora me entendo bem. Minha dificuldade está com uns comandos novos - pra mim, mas estou avançando. Como alguém que rejeitou o pensamento matemático a vida toda, a TAT tem derrubado inúmeros tabus.” ( Maria Cristina - S.J.Rio Preto, SP -, 4/11)
“Ao trabalhar com o Logo na execução das atividade, no início encontrei muitas dificuldade, mais quando percebi que era tudo uma questão de raciocínio, melhorei muito na realização das tarefas, embora as dificuldades ainda sejam muitas.” (Flávio - Itapipoca, CE, 26/10)
“Hoje já arrumei muita coisa na minha cabeça. Fazia uma confusão muito grande, mas repensando sobre reflexão-na-ação e quando eu comecei a trabalhar com o Logo percebi que tinha que pensar antes de colocar algum comando para a TAT e quando dava errado teria que repensar um outro caminho ou buscar estratégias para sair de determinada situação, pode crer foram muitas reflexões nas ações e hoje já reconstruí e superei muitas dificuldades.” (Maria da Paz - Tauá, CE -, 27/10)
Respeito às Diferenças e Solidariedade
Houve muita garra e competência por parte do aluno-professor, para vencer os desafios. Dois fatores ajudaram a criar um clima favorável: o respeito às diferenças e ao tempo de cada um, com tolerância e a solidariedade.
“Acredito que os gritos vêm de toda parte, há muitas crianças/alunos com dificuldades heterogêneas numa escola que prioriza homogeneidade. Que pensa que todos aprendem de forma igual. Mas nós , professores, educadores, somos alguns dos pescadores... Somos aqueles que tentam tirá-los da água... e também somos aqueles que os atiramos na água, quando não percebemos suas dificuldades, e usamos a nota, a reprovação como forma de jogá-los na água.” (Josevânia - Rondonópolis, MT, 5/10)
“Quanto a você como aluna de Logo, não tenha pressa. Mantenha esse espírito aberto a desafios, essa diposição para a luta, mas nada de cobranças. Cada um na sua. Não que nosso curso seja largado, mas sim com espaço para cada um viver suas dificuldades.”(Celso Vallin - São José dos Campos, SP, 5/10)
“Então, quando penso nos alunos, sei que eles também precisam de um tempo, que é próprio de cada um, para se envolverem e elaborarem as programações.” (Eliane - Campinas, SP, 5/10)
“Isso que vc colocou sobre o tempo de cada um é muito sério. O professor normalmente prefere manter uma metodologia de trabalho esquizofrênica, de controle de tudo e todos, pois lhe parece mais fácil administrar a situação de aula. ... Uma coisa é certa, de qq modo, em qq situação, pretender exercer o controle total sobre as coisas e as pessoas, sobre os processos e os produtos, é um equívoco desgastante para todos os envolvidos.” (Maria Cristina - S.J.Rio Preto, SP -,6/10)
“Que bom saber que seremos respeitados na nossa individualidade, pois as diversidades de entendimento são muitas e eu sou como você falou:daquela que precisa de mais tempo para se organizar.” (Marta - Lages, SC 6/10)
“Sabe pessoal, as palavras de todos me emocionam muito...Que bom que estamos construindo também esse espaço em nosso curso!!!” (Adriana, São Paulo, SP, 6/10)
“Andei pensando nesses dias, lendo as mensagens e acompanhando as atividades... Uma das questões mais importantes no Logo é a descoberta...E esse processo se constrói com o outro e também sozinho...Sentimos o entusiasmo, a vibração de vocês a cada nova descoberta...Consegui!!!!!!!!!!!!!!!!! Gritava Maria da Paz - Tauá, CE - recentemente... Essa alegria, essa felicidade, fruto da superação dos desafios, é algo que pode ser compartilhado, mas só pode ser vivido e sentido por nós mesmos, a cada conquista... Todos esses sentimentos são possíveis porque foi respeitado o tempo de construção de cada um de nós...Comigo também foi assim... Penso que é importante ter em mente quando vamos à campo, trabalhar com os alunos, a importância desse processo, do respeito ao tempo de cada um, do tentar ser um mediador pedagógico, não dando “fórmulas prontas” , mas lançando desafios e deixando que os alunos construam, com seu olhar, o seu conhecimento... Só vibramos porque nos permitiram vibrar...Se tivéssemos atropelado o tempo, dado tudo pronto, provavelmente o “Consegui!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!” não teria todas essas exclamações...” (Adriana, São Paulo, SP, 20/10)
Solidariedade
“Jô, esta dificuldade que estamos sentindo, é normal.” (Kátia - Boa Vista, Roraima -, 5/10)
“... não estão me dando condições para que eu possa continuar meu curso. Só prometem. Estou cansada de ser enganada há 2 meses. Estou achando que vou desistir. Os desafios são muitos e a vontade de continuar é maior ainda.” (Maria da Paz - Tauá, CE -, 6/10)
“Maria da Paz: vamos tentar pensar de outra maneira, acredito que sair não é a solução. Todos nós temos problemas que se apresentam de maneiras diferentes. Algumas vezes estou disponível para entrar no ambiente (ontem a noite, por exemplo)e não fica disponível. Passo horas e horas tentando, e nada.” (Kátia - Boa Vista, Roraima -, 11/10)
“Maria da Paz, eu também estou como você, só estudando em casa e me prometem a instalação da Internet no NTE, paciência tem limite! Como disse a Dri temos uma visão crítica das coisas e queremos que tudo dê certo e que tenhamos condições de trabalho. Um abração e chega de reclamar por hoje. Vamos descansar.” (Marta - Lages, SC, 12/10)
“Somente ontem que consegui salvar com a extensão *.lgo, depois de fazer várias experiências. Vou tentar repassar aos poucos como estou fazendo, espero que ajude. ...” (Kátia - Boa Vista, Roraima -, 13/10) E em seguida ela dá as dicas de como fazer.
Currículo em ação
A idéia de fazer um curso baseado no que for aparecendo pode ser confundida com falta de organização, mas não há outra alternativa para o verdadeiro diálogo. Um professor, que vai organizar e planejar um curso, precisa estar coberto de conhecimento, dispor de muitos artigos ou leituras para recomendar, e de coleções de exercícios e desafios para passar, mas precisa antes de tudo, ter a humildade de considerar o que cada aluno é, e considerar o que cada um traz e apresenta. É muito mais difícil lidar com a situação que se apresenta do que impor uma dinâmica previamente idealizada. Abrir mão desse poder do professor significa a possibilidade de expor fraquezas e dificuldades. Isso só é possível num clima de amizade e respeito, de ambas as partes.
Em muitas situações de vida, ou escolares, as pessoas apresentam enormes dificuldades para estabelecer um diálogo. O verdadeiro diálogo pressupõe que cada um escute o outro. Não basta escutar. É necessário que se considere o que o outro está dizendo e pensando. Uma palavra tão simples nos leva a uma situação tão complicada. Como trabalhar nossas idéias, usando as idéias dos outros? E se o outro não pensar da mesma maneira que nós? E invariavelmente o pensamento do outro desorganiza o nosso. Mas que outra alternativa tem um professor, a não ser, considerar seus alunos e ajudar os alunos, uns a considerarem os outros?
“Faço este comentário somente para lembrar o texto que a Josevânia nos enviou através do correio. Nossa conversa talvez ajude a descobrir quem está atirando as crianças na água, ou, como fazermos para diminuir isso. Será que, em algum momento, nós mesmos estaríamos derrubando crianças na correnteza? Será que o Logo, ajudaria de alguma maneira? Será que, nas situações normais de sala de aula, os alunos têm espaço para aprenderem, cada um do seu jeito? Existem espaços de trabalho que permitam cada um viver do seu jeito em nossas propostas pedagógicas?” (Celso Vallin - São José dos Campos, SP - 5/10)
“Quando vou para casa, que é do outro lado da cidade, 20 minutos de carro, vejo meus alunos indo embora às onze da noite, de bicicleta, a pé, na garupa de bicicleta do marido,de todas as formas. E trabalharam o dia todo, estão cansados, desanimados,... Estou com um aluno de 17 anos com depressão profunda no hospital... Outro que tentou se matar na semana passada... Todos com inscrição para o vestibular feitas. Então, o texto está certo, caem duas, quatro, dez crianças na água, mas não podemos esquecer de fazer nossa parte.” (Josevânia - Rondonópolis, MT, 5/10)
Olhando o aluno
Aos poucos, a conversa que estava centrada na figura do aluno-professor, olhando para suas próprias dificuldades e aprendizado, foi se voltando para o aluno dele.
“Gostei muito da idéia de utilizar a própria pessoa como a TAT e entrar num labirinto obedecendo os comandos dados. Creio que dessa forma, realmente, ficará mais fácil os alunos compreenderem o Logo. Vou aproveitar a idéia.” (Anna Luiza, 20/10)
Inicialmente todos imaginavam que não estavam em condições de começar a trabalhar com alunos, já que eles mesmos tinham acabado de aprender os primeiros passos com o Logo. Depois, conforme começaram a trabalhar com os alunos tudo melhorou rapidamente.
“Eu ainda tenho dificuldades com o Logo, no seu manuseio. Como vou trabalhar com alunos?”(Maria Cristina - S.J.Rio Preto, SP -, 13/10)
“Não estaríamos levantando expectativas muito prematuras no professor colaborador e nos alunos, já que não temos ainda tanta familiaridade com o Logo a ponto de ampliarmos as possibilidades com o uso dessa tecnologia?” (Silene, 17/10)
“Quando não conhecemos ou se está engatinhando fica muito difícil, no primeiro momento misturei os Logos, mas já começo a me situar com as leituras e a interação com o SuperLogo e começo a ver que só aprendemos quando se tem teoria e prática caminhando juntos que a partir desse norte podemos refletir e questionar sobre as nossas ações.” (Maria da Paz - Tauá, CE -, 17/10)
“Posso resumir assim essa experiência: o primeiro dia foi bom, o segundo, ótimo e o terceiro, hoje, foi maravilhoso... eu não esperava que tivesse um resultado tão positivo como ocorreu.” (Kátia - Boa Vista, Roraima -, 25/10)
“Como é bom aprender com nosso aluno essa experiência foi enriquecedora, ao observar os mesmos percebi que eles procuram criar estratégias para entender os comandos e conversavam entre eles: ¾ Eu percebo pe e pd quando olho para TAT pego na mãozinha dela, fica mais fácil porque, tenho dificuldade em esquerda e direita.....(aluna Mikelly, 14 anos).” (Maria da Paz - Tauá, CE -, 26/10)
“Também tive um final feliz, mas poderia ser melhor, ´porque as minhas aulas estavam sendo de uma em uma e ontem(25) tive que trabalhar as aulas finais(2) para receber as atividades propostas pelos alunos, foi muito bom, mas poderia ter sido melhor, mas a turma ficou animado e após a realização das atividades, sentamos e discutimos o que pode ser mudado em outras atividades, de outras aulas, como usar o logo em outras disciplinas, e cada um prometeu melhorar mais a criatividade e ver as possibilidades de incluir em outras disciplinas, a professora que eu acompanhei também gostou dessas atividades e atitudes dos alunos que já começou a desenvolver atividades em todas as salas que ela trabalha, está sendo uma febre, só se fala nisso pelos corredores da escola, vamos ver o que vai dar, relatei no meu portfólio tudo o que pude pegar com os alunos, mas é isso aí, orientando, observando e não esquecendo de anotar tudo, muito importante isso para nossa caminhada. Valeu!” (Osmar- Rondonópolis,MT, 26/10)
Teoria junto com a prática
Teoria descontextualizada é uma das grandes doenças da educação. Os alunos se desmotivam. O conhecimento fica estéril. A escola fica sem sentido, ou os alunos não conseguem perceber o sentido dela.
Um dos pilares do Curso de Desenvolvimento de Projetos Pedagógicos com NT é o conhecimento e envolvimento com novas teorias de aprendizagem conjuntamente com a prática pedagógica assim como o uso prático de computadores, por parte dos alunos-professores, concomitantemente com o uso dos mesmos com alunos. (Freire e Prado, 1996)
Foi também um desafio para professores e alunos deste curso a distância, tratar da teoria paralelamente à prática. Novamente - se isso se apresenta como uma dificuldade ao vivo, é natural que se imagine dificuldades ainda maiores, quando se está distante e quando a comunicação fica limitada às trocas eletrônicas.
Felizmente também esta dificuldade foi brilhantemente superada por todos.
Não basta que se faça a prática caminhar ao lado da teoria. Para “grudar” uma à outra, é necessário que se converse sobre tais ligações. Se a conversa não acontecer, não se tem a garantia de que cada um fez sua ligação entre teoria (idéias gerais, síntese) e prática (saber fazer, procedimentos, exemplos, dicas, ...). Este texto consiste num olhar sobre o que aconteceu, e ao ser compartilhado com os alunos ajuda a se perceberem. Melhoramos a conscientização sobre o que foi conquistado. Alguns dos depoimentos dados durante o curso mostram como as pessoas foram construindo as ligações entre teoria e prática.
“Vou relatar um fato muito interessante que acontece comigo: possuo algumas dificuldades de conceituar certas coisas, preciso inicialmente ver a prática e/ou paralelamente a teoria. Tendo em vista estas perguntas, para explicarmos as diferenças, não estou sabendo. Me deu um "branco" e várias "interrogações" surgiram na minha mente: - Será que já trabalhei com o modo direto? O que quer dizer isso na prática? Claro que está relacionado com o Tat, mas como? - Por que será que eu não sei a diferença?.” (Kátia - Boa Vista, Roraima - 9/10)
Apesar de estar tudo escrito nos textos dados e de a aluna-professora ter lido, e experimentado, ela ainda não havia -aprendido! Isso mostra bem a necessidade que temos de representar as coisas que estamos tentando aprender, como forma de tomada de consciência, como meio de ajuda ao aprendizado. Falar sobre o que se vem fazendo é uma forma de representação. Colocar as idéias por escrito, força-nos para um nível maior de consciência. A leitura dos depoimentos dos colegas, conjuntamente com a volta às situações de aplicação do conceito aceleram bastante o processo de aprendizagem.
Dentro do conteúdo específico deste curso, as diferenças entre as “Declarações no Modo Direto” e aquelas feitas por meio de “Procedimentos”, e as diferenças entre “Salvar Procedimentos” e “Salvar Desenho” foram motivo de repetidas perguntas, durante aproximadamente duas semanas. Cada um em seu tempo ia apresentando as dificuldades e, somente em certo momento, se mostrava pronto para entender as explicações. As dúvidas dos primeiros serviram como alerta aos seguintes, de que havia alguma coisa mais complexa, a ser entendida e dominada.
“Na linha de comando do Logo, digito o nome dado ao aprenda e a figura aparece. Depois, fecho o Logo. Quando abro novamente, e digito o mesmo nome gravado no aprenda, objetivando que apareça a figura, ela não aparece, e assim, tenho que registrar novamente no Editor de Procedimentos. Será que estou fazendo alguma coisa errada?”(Kátia - Boa Vista, Roraima -, 9/10)
“Caro professor, também tive muitos problemas na hora de salvar determinados comandos, digitava, executava, gravava e tudo certo, só que quando saía do Logo e retornava na linha de editar procedimentos, não encontrava nada, será que eu estava somente no Modo direto? Não estava gravando as instruções.” (Regina- Várzea Grande, MT, 9/10)
“A minha dificuldade está sendo para salvar. Consigo salvar o desenho (.bmp), mas não consigo salvar os comandos (.lgo)” (Geni- Florianópolis, SC, 13/10)
“...quando mandamos a Tat aprender e depois usamos estes recursos editados para criar, e observamos que tudo deu certo, o caminho é longo e penoso, mas depois chegamos ao céu. Vocês não vão acreditar. É gostoso.” (Josevânia - Rondonópolis, MT, 13/10)
“No meu aprendizado com o Logo, como já citei, depois que comecei a "pegar o jeito" com a Tat, passei a olhar tudo de forma geométrica, acredito que nesse momento, eu estava refletindo. Não havia uma tela de computador, mas eu imaginava e fazia os procedimentos pois queria que dessem certo. Imaginava também que bastaria chegar no outro dia e pronto: digitaria os procedimentos e o desenho, meu objetivo apareceria ali. Até agora, reflexão. Quando eu chegava aqui e colocava os procedimentos já refletidos, o que acontecia? Era hilário, começava bem, depois o que era para a direita ia para esquerda, entre outras coisas. Agora estou na reflexão-na-ação. constatados os problemas, eu refazia os procedimentos errados, ou inexatos, chegando então à reflexão-sobre-ação, ou seja, o repensar da prática.”(Josevânia - Rondonópolis, MT, 23/10)
Mais rico ainda do que caminhar na prática conjuntamente com a teoria foram as reflexões sobre a escola que temos e sobre como teoria e prática são tratadas dentro dela.
“Você conseguiria dizer que elaborações de pensamento a Pamela precisou usar? Será que ela está sendo solicitada a lidar com conceitos que a escola tenta ensinar? Será que a criança, que absorveu os conceitos da forma como a escola tradicional trabalha, consegue aplicar tais conceitos quando precisa deles, no Logo por exemplo? Será que o Logo propicia um ambiente rico, onde a criança pode ensaiar seus pensamentos e com isso ir construindo seus conceitos?” Kátia - Boa Vista, Roraima em 17/10, analisando a experiência de aprendizado com Logo vivida pela filha Pámela.
“Achei tão interessante este momento: eu já tinha analisado o texto, mas, relendo novamente na tentativa de enquadrar com a minha experiência, a leitura foi diferente, em certos trechos, percebi que eu tinha acabado de vivienciar com a minha filha. Parece-me que as autoras escrevam o texto baseado no meu relato... agora, é tudo tão real: o Logo, a produção pelo aluno (minha filha), a criatividade, o imaginário... o que a convivência faz!” (Kátia - Boa Vista, Roraima -, 17/10)
“Meus alunos colocaram que uma das grandes vantagens do LOGO é o desenvolvimento do raciocínio lógico, a medida que você desenvolve as atividades, você é forçado a raciocinar sobre os comandos corretos que deve passar para a tartaruga. Estas foram as observações feita pelos próprios alunos” (Flávio - Itapipoca, CE, 26/10).
“Aplicar o Logo com alunos, requer avançar no nosso processo de aprendizagem com a ferramenta. Em serviço, a aprendizagem exige romper com um esquema antigo de aprender algo, em que se baseia em saber antes de atuar. Em nosso caso, estamos aprendendo, fazendo, para enriquecermos mais o processo de aprendizagem, aprender com o outro. Com o Logo o desafio é maior, já que ele desperta a elaboração, reflexão, depuração no indivíduo.” (Eliane - Campinas,SP -, 17/10)
Mudança de paradigma
"Na maioria das situações educacionais contemporâneas em que crianças são postas em contato com computadores, o computador é usado para fornecer-lhes informações (...)e para prover atividades dentro de um nível apropriado de dificuldade. É o computador programando a criança. No ambiente LOGO a relação é inversa: a criança, mesmo em idade pré-escolar, está no controle - a criança programa o computador. E ao ensinar o computador a "pensar" a criança embarca numa exploração sobre a maneira como ela própria pensa." (Papert, 1985)
Os alunos-professores foram solicitados a confirmar ou discordar dessa afirmação, de Papert, de acordo com a vivência acontecida durante o curso. Os depoimentos dados são novamente animadores.
“Sim, no começo eu ficava brava e dizia "por que ela foi para lá? Até que entendi que EU mandava nela (na TAT) e ela só fazia o que EU queria...Acho que nessa questão entra também um aspecto: o da facilidade. Estamos tão acostumados a dar um clique e pronto, a máquina faz até mais do que queríamos... Já no Logo, não é assim, é você que programa, que apanha até refletir e agir de modo certo. E é incrível como quando dá certo a sensação de felicidade é ótima. Como a Kátia - Boa Vista, Roraima - já disse, é preciso muita concentração. Não digo que hoje eu ame ou odeie o Logo, digo assim: não somos inimigos mas também não nos casamos. É uma amizade colorida...” (Jôsevânia, 26/10)
“O Logo é um programa que todo professor deveria conhecer e aplicar com seus alunos. Após trabalhar com o Logo, verifiquei o quanto a criança consegue evoluir em seu aprendizado, pois tem que saber orientar adequadamente a TAT. Em outros programas, a criança passa por um tutorial que não vai despertar o mesmo que o Logo. A mediação do professor é muito importante em todos os momentos. Mas o grau de desenvolvimento na elaboração de um objeto ou atividade com o Logo é claro. Quando deixamos a criança sozinha com o programa sua criatividade é respeitada assim como intenção, as possibilidades para criança concluir seu raciocínio são maiores e adequadas. Concordo plenamente que, com o Logo é a criança que direciona o computador/programa, pensa no resultado, confere com seu interesse, pergunta-se caso o resultado não seja o esperado, tem que indicar o comando certo para a TAT.” (Eliane - Campinas,SP -, 29/10)
“Talvez o ato da criança ensinar o computador a pensar, seja uma das mais importantes diferenças do Logo para outros programas. Ao ensinar o computador a pensar, a criança está desenvolvendo sua capacidade de raciocínio, os próprios alunos através da experiência que fizemos com essa linguagem, percebem essa importância. Eu acredito que o logo, é um programa para ser trabalhado principalmente com alunos de séries iniciais, que estão em fase inicial de desenvolvimento do raciocínio.” (Flávio - Itapipoca, CE, 1/11)
“O Logo é um programa que convida a pessoa a pensar, exige concentração e raciocínio, pois despertou muito a minha curiosidade e tenho muito que aprender em relação ao programa. Sem dúvida as crianças se identificam muito com a tartaruguinha, pois será trabalhado o raciocínio lógico brincando. Quando estava desenvolvendo ouvi os alunos conversando: - Mikelly não brigue com a TAT, pois somos nós que erramos, você não percebeu ainda que somos nós estamos mandando ela fazer alguma coisa?” (Maria da Paz - Tauá, CE -, 30/10)
“Desejo relatar a experiência que tive com minha filha Gabriela de 8 anos.Estava estudando , seguindo as orientações das apostilas, quando minha filha se interessou e pediu para "brincar" um pouquinho com o LOGO. Expliquei alguns comandos, passo a passo - modo direto- ela simplesmente me pediu a apostila e começou fazer o desenho da escada com a maior simplicidade. Fiquei emocionada e feliz com o interesse que foi despertado nela, desejando fazer outros desenhos. É simplesmente fantástico.” (Anna Luzia - São Mateus, ES, 30/10)
“O Logo é um programa que oportuniza a concentração, a reflexão, o interesse em aprender, em descobrir o erro e superá-lo. Concordo com os colegas. Todo professor deve ter acesso ao Logo e trabalhar com seus alunos, para desenvolver neles o ato de refletir sobre suas ações de aprendizagem e de vida entre muitas outras coisas. Estou maravilhada com a potencialidade do Logo. A reflexão na ação acontece quando executo determinada ação e ela não sai como imaginei ou planejei. Ao perceber, que não era bem "isso" que queria, passo a analisar, buscando descobrir o erro ou o que deixei de fazer. Dessa forma, estou refletindo sobre minha ação. O contrário seria ignorar tudo e partir para outra ação, já que aquela não dera certo.” (Maria da Conceição - São Luís, MA, 31/10)
“Meus alunos fizeram um relato da experiência vivida ontem, e nesse relato já analisaram que conseguem aprender errando. Achei muito significativa essa observação.” (Maria da Conceição - São Luís, MA, 25/10)
“Avaliando os resultados, eu vejo como positivo, proveitoso. Aprendemos muito com esse momento, e que sem dúvida os meus objetivos foram satisfatórios. E quanto aos alunos são curiosos, atentos, espertos, criativos, participativos, solidários, cooperativos e interativos, pois não esperava tanto desempenho, foi um sucesso, eu acredito que eles se saíram melhor do que eu quando tive contato com o Logo e aprendi muito com eles.” Maria da Paz - Tauá, CE -
Bibliografia
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FERREIRO, Emília. O mundo digital e o anúncio do fim do espaço institucional escolar. Na revista Pátio, ano IV, n.16, FEV/ABR 2001.
FREIRE, Fernanda e PRADO, M. Elisabette B.B. (1996). Formação em serviço, (artigo publicado nos Anais do III Congresso Iberoamericano de Informática Educativa Barranquilla, Colômbia) disponível na Interenet em http://phoenix.sce.fct.unl.pt/ribie/cong_1996/
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PAPERT, Seymour (1985). Logo: Computadores e Educação. São Paulo: Brasiliense.
PETRY, Pedro P. (1996). Por que odeiam a tartaruga? Disponível na Internet em http://lec.psico.ufrgs.br/~pppetry/logo1.html
PRADO, Maria Elizabette B. :Logo - Linguagem de Programação e as Implicações In:___. O uso do computador na formação do professor: Um enfoque da prática pedagógica. Proinfo/SEED/MEC. Brasília, DF. 1999. (www.proinfo.mec.gov.br)
SINGER, Paul (2001) em palestra ao Sind. dos Eng. do RJ, publicada na p.44 da revista PROPOSTA n.88,89, de março/agosto 2001 (sbrandao@fase.org.br).
Celso Vallin
(*) Este texto foi submetido pelo seu autor em paralelo com suas respostas ao Segundo Conjunto de Questões Desafiadoras.